19 de ago. de 2019

Pintando o Frevo e o Hibridismo Cultural

Por: Dayse Melo, Iara Melo, Jéssica Viturino e Mariângela Martins

Hibridismo cultural é uma questão bem interessante, então vamos fazer uma analogia com o ar, só que um pouco mais visível, pois, não sabemos realmente como é e onde o hibridismo começa. Por mais que sempre esteja presente no nosso dia a dia, estamos tão acostumados com ele que, dificilmente prestamos atenção. 

O hibridismo acontece em todos nós, mesmo que não queiramos ou tentemos manter nossa suposta tradição viva, você simplesmente pega uma pessoa com uma formação cultural que provavelmente já recebeu influência de outras culturas, e essa pessoa ao longo de sua vida vai adquirindo com o seu contato com outras culturas uma nova formação cultural, que vai ser passada então pra frente. Desta forma o hibridismo vem atravessando séculos.
Pintando o Frevo Agora que já conhecemos um pouco mais de hibridismo cultural, é hora de conhecer de perto o grupo Pintando o Frevo, um belo exemplo de cultura híbrida.  O grupo Pintando o Frevo existe desde 2009 e foi fundado pelo professor Edson Santos assim que ele terminou a faculdade de dança na Universidade Federal de Alagoas – UFAL. No início o grupo contava com apenas quatro integrantes, atualmente os encontros do grupo já contam com mais de dez participantes.
Ensaio do grupo Pintando o Frevo. (Foto: Iara Melo)
Apoio A Ufal disponibiliza uma sala para os encontros semanais do grupo na Escola Técnica de Artes, localizada no centro da capital. Além disso, o Pintando o Frevo se apresenta nas ruas de Maceió, em escolas e no Pinto da Madrugada junto com uma orquestra, utilizando os passos de acordo com o que a música transmite. Para Edson, o fundador do grupo, a energia das pessoas traz um ânimo a mais para o grupo continuar, mas, a falta de incentivo, tanto da Universidade quanto do Estado já fez Edson pensar em desistir. “É muito difícil fazer frevo, eu ainda estou resistindo, mas já deu vontade de ir embora para Recife várias vezes, porque lá é frevo todo dia e aqui não. Se eu for à galera fica sem uma pessoa à frente. Se eu for não tem carnaval aqui”, explica o fundador. Do K-pop ao Frevo João Vitor, Suynan Zidade, Luiz Felipe, Thiago Costa e Whydger Fernandes são componentes do grupo de dança Falcon, voltado para a cultura Sul Coreana. E agora estão aprendendo frevo graças às aulas proporcionadas por Edson santos.  “Estávamos procurando uma sala de dança e através do Thiago conhecemos o Edson. A princípio nunca imaginei que ia sair dançando frevo. Eu achei diferenciado, nunca vi ninguém ensinando frevo. Resolvemos pedir pra o Edson coordenar nosso grupo, mas pra isso fizemos uma troca, participamos das aulas e ele nos coordena, e aqui estamos”, comenta João Vitor. As aulas acontecem uma vez por semana aos sábados e conta com alongamentos no início e no final das aulas feitas pelo professor Edson, com base em tudo o que ele aprendeu na faculdade de Dança. E em seguida ele explica os passos tradicionais do frevo e vai auxiliando os alunos. As aulas são totalmente de graça e para participar basta entrar em contato com o grupo através do telefone (82) 9 9945-7872 ou indo até a Escola Técnica de Artes da Ufal.
Ensaio do grupo Pintando o Frevo. (Foto: Iara Melo)