20 de ago. de 2019

Museu Palácio Floriano Peixoto, espaço que esbanja história e cultura

Por: Hermes Winícius Correia Marques, Jeydson Ivanildo Santos da Silva e Leonardo Ferreira dos Santos


A fachada do Museu Palácio Floriano Peixoto. (Foto: Jeydson Silva)

A sua construção foi iniciada em 1893 durante o mandato do governador Gabino Besouro para abrigar a sede do poder executivo alagoano, o Museu Palácio Floriano Peixoto é testemunha da ascensão e queda de diversos políticos e regimes de governo. Localizado no centro de Maceió, o museu ainda mantém o esplendor de seus tempos áureos, não deixando que a passagem do tempo leve embora suas memórias.
O projeto inicial do Palácio surgiu ainda sob a administração de Pedro Paulino da Fonseca, o segundo governador do Estado de Alagoas, entre 1889 e 1891. Apesar de ter sua pedra fundamental posta em 1893, sua inauguração só se daria quase dez anos depois, em 1902, no governo de Euclides Malta. Tais atrasos, um prelúdio das futuras obras do governo, ocorreram devido à falta de recursos e à instabilidade política da época. 
De 1902 até 1995, o Palácio Floriano Peixoto abrigou 37 governadores, eleitos direta ou indiretamente. Seu último residente foi Geraldo Bulhões. Ainda assim, foi sede do poder executivo até 2006, quando essa “honra” passou ao Palácio República dos Palmares. Neste mesmo ano, foi transformado em museu através de um decreto do então governador Ronaldo Lessa. 
Em 1947, através de um decreto de governador Silvestre Perícles de Góes Monteiro, o edifício passou a se chamar Palácio Marechal Floriano Peixoto, em homenagem ao segundo presidente do Brasil. 
Sala de reuniões do Palácio. (Foto: Jeydson Silva)

Acervo do museu 

O museu abriga uma invejável mobília dos séculos XIX e XX, época onde a influência europeia era fortíssima. Muitas de suas peças parecem ter saído de mansões vitorianas do Velho Continente. A prataria, os cristais e objetos decorativos são de fazer inveja a qualquer colecionador. Entre os quadros estão obras de inesquecíveis pintores alagoanos, como José Zumba, Luís Silva, Miguel Torres, Lourenço Peixoto e também de Rosalvo Ribeiro.
Ainda no acervo há o Espaço Aurélio Buarque de Holanda, com objetos pessoais, manuscritos, textos datilografados, fotografias, comendas, medalhas e anotações do famoso dicionarista. Não podemos esquecer também do Memorial Lêdo Ivo com um acervo composto por fotografias, imagens, objetos pessoais e uma coleção de livros e textos pertencentes ao poeta.
Parte do acervo do Museu. (Foto: Jeydson Silva)

Ponto turístico e a não valorização dos alagoanos

A importância e fama do Museu Palácio Floriano Peixoto não se ficam restritas ao nosso estado, muitos turistas já chegam a Maceió com o palácio em rota: Os turistas que vêm de fora já vêm direto pra cá. “Eles querem sair, às vezes, da rotina da praia”, afirma o guia Gilson. Tal fato reverbera a quebra do estereótipo de que o Nordeste é apenas constituído de praias.
Apesar de ser bastante visitado por turistas, o Museu parece não ser tão reconhecido pelos seus próprios conterrâneos. “O problema é que os alagoanos não vêm, a não serem as escolas”, diz Gilson.  No livro de visitas do museu, são raras as assinaturas de pessoas de Alagoas. Sendo predominantes as de pessoas de São Paulo, Roraima e Rio Grande do Sul. Estados bem distantes do nosso. 
A temporada com maior fluxo de visitantes do Palácio Floriano Peixoto costuma entre os meses de dezembro e janeiro. Ao longo do ano, o museu recebe alunos de diversas escolas. Há projetos de parcerias entre as secretarias municipais de Educação e Turismo, com a finalidade de aproximar as crianças da história e cultura local.
“As escolas ligam e marcam. A gente agenda para não coincidir, já que são muitas crianças, entre 90 e 110. Fazemos grupinhos e mostramos o local a eles. Isso dura cerca de 25 minutos. [...] Quando são criancinhas, o museu por si só já faz o trabalho dele. Elas chegam aqui e já ficam encantadas.” Relatou Gilson. 
Ao fazer um passeio com a escola, além da carga histórica, as crianças participam de concursos de poesias e desenhos durante a visitação, fazendo com que acabaram de aprender sobre nossa cultura as inspire. 

Conservação do museu 

É de se pensar que esse importante marco da história alagoana necessita de cuidados e reparos frequentes. Todas as salas são limpas a cada quinze dias para impedir o acúmulo de detritos que ameaçam a conservação do acervo e do prédio. Gilson comenta que “teve uma reforma, inclusive, no ano passado. [...] Estão tentando fazer as reformas aos pouquinhos porque se a gente fazer tudo de uma vez, vai ter que fechar e as pessoas não vão ter acesso”.
Busto de D. Pedro 1°. (Foto: Jeydson Silva)

As reformas constantes demonstram a preocupação após a tragédia ocorrida com o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, em setembro passado, onde um incêndio causado por um aparelho de ar-condicionado defeituoso assolou seu acervo. Entretanto, o Palácio Floriano Peixoto ainda não dispõe de sprinklers (chuveirinhos para extinção de incêndios), cujo uso é considerado polêmico por poder molhar as obras, mas preferível por evitar perdas totais.

Em evento no Rio que aconteceu no final de junho, Michael Kilby, um dos diretores do Instituto Smithsonian, o maior complexo de museus dos Estados Unidos, conta que o Smithsonian não tinha uma boa proteção quando uma galeria pegou fogo em 1970. "Foi quando começamos o programa de prevenção. Mas mesmo agora, nós ainda lutamos para ter um sistema que abarque tudo. Dos 5 milhões de metros quadrados de todo o complexo do instituto, cerca de 90% tem sprinklers hoje." Sendo assim, o Palácio necessitará passar pela implementação de sprinklers.
Exterior do Palácio. (Foto: Jeydson Silva)
Além de ser um espaço que esbanja história e cultura, o Museu Palácio Floriano Peixoto segue como um dos mais importantes santuários da tradição alagoana, mesmo precisando de mais atenção dos seus próprios conterrâneos. O local está aberto para visitação de segunda a sexta das 9hs às 16hs.