19 de ago. de 2019

Museu de Arte Pierre Chalita

Por: Dayse Melo, Jéssica Viturino e Mariângela Martins

Localizado no centro de Maceió em um antigo casarão, o museu funciona em um prédio que faz parte do conjunto arquitetônico dos Martírios, tombado como patrimônio estadual de Alagoas em março de 2000. Fundado no ano de 1980, com o objetivo de expor a coleção particular de Pierre Chalita, o Museu de Arte Pierre Chalita (MAPC), conta com mais de duas mil obras em seu acervo.

Museu de arte Pierre Chalita. (Foto: Mariângela Martins)
Com obras do Brasil e de outros países, uma coleção de arte sacra, obras do próprio Pierre Chalita e diversas peças de mobiliário, o MAPC é uma instituição privada e mantida com a renda obtida através do Espaço Pierre Chalita, localizado no Jaraguá. 
O museu possui três divisões, a primeira que temos contato é a de Arte Sacra, com peças que derivam do séc. XVII. No primeiro andar estão expostas obras do Pierre Chalita, de suas duas séries, a série do Baile e a série do Paraíso, mobiliários de sua coleção e o quadro de sua mãe, pintado pelo artista nos anos 50. Outra obra exposta neste andar e que chama a atenção é o quadro de Jesus Cristo na crucificação. No quadro a figura de Cristo é representada sem nenhuma vestimenta, na época Pierre Chalita foi proibido de expor o quadro em Madri. O quadro ficou preso durante dois anos naquele país, até que o artista conseguiu obtê-lo de volta. O subsolo do prédio abriga mobiliário de época e quadros expressionistas, incluindo dois exemplares de autoria de sua esposa Solange e alguns quadros de seus antigos alunos.
Peça de Arte Sacra. (Foto: Mariângela Martins)
Em seu acervo existem pinturas, objetos decorativos (baús, vasos, cerâmicas), esculturas de madeira, além das artes sacras. Todas as peças são datadas dos séculos XVII ao século XIX. Encontramos no museu quadros de Carravagio e uma Madona da escola de Da Vinci, além de quadros de artistas como Volpi e também artistas da terra como Rosalvo Ribeiro, Jorge de Lima e de Solange, sua esposa. Dentre as mais de duas mil obras a mais recente é do pintor Alagoano Pedro Caetano, datada de 2012.

Todas as obras do acervo são da coleção do Pierre Chalita e foram adquiridas através de doação e/ou compradas pelo próprio artista. O museu funciona de segunda a sexta em horário comercial, e atualmente conta com dois funcionários que se reservam como guias, José Zacarias e Luciano da Silva são antigos funcionários da família, e nos últimos cinco anos trabalham no museu.  A acessibilidade do museu é precária, o único elevador existente não funciona, todos os acessos são feitos através de escadas e as obras de arte não possuem nenhuma identificação em braile.

Coleção de Arte Sacra. (Foto: Mariângela Martins)
PIERRE CHALITA
Pierre Gabriel Najm Chalita, filho de família de imigrantes libaneses, nasceu em Maceió aos 30 de janeiro de 1930 e faleceu em 30 de julho de 2010.  Pintor, escultor, desenhista, professor e colecionador de arte, Pierre Chalita deu início a sua coleção aos seis anos de idade com os selos das cartas que seu avô o enviava. Dos selos passou a colecionar moedas e por fim arte. Formado em arquitetura, estudou na Academia de Belas Artes San Fernando (Madrid – 1957) e na Escola de Belas Artes de Paris (1958). Sua obra tem forte marca do trágico da condição humana, exalta sentimentos e apresenta uma profusão de cores.
ESPAÇO PIERRE CHALITA
Localizado no bairro histórico de Jaraguá, em Maceió, o Espaço Pierre Chalita possui uma estrutura que possui arte e cultura. De arquitetura neutra o espaço foi projetado pelo alagoano Lúcio Moura, com inspiração nos antigos galpões presentes no bairro.