20 de ago de 2019

A história alagoana contada através do audiovisual

Por: Natália Figueiredo e Thaís Andrade


Fachada do Misa. Foto: Thaís Andrade

Com aspectos histórico-culturais muito marcantes, Alagoas possui uma grande quantidade de espaços e acervos que abrigam toda a sua trajetória. Contando apenas com a capital alagoana, são mais de 25 museus que abrem suas portas diariamente para receber todo tipo de público. E o MISA é um deles.

História


Museu da Imagem e do Som de Alagoas (MISA) foi criado em 1981, ficando instalado por cerca de um ano na sala Heckel Tavares no Teatro Deodoro. 

O prédio que hoje abriga o MISA está localizado na Rua Sá e Albuquerque no bairro do Jaraguá, um dos bairros mais antigos da capital alagoana, que faz parte da história e formação cultural de Maceió. O prédio foi construído em 1869 para ser o Consulado da Província das Alagoas, porém passou a ser o recebedor de impostos, chamado de Recebedoria. 

Por último, o prédio abrigou a Secretaria da Fazenda de Alagoas (Sefaz). Em 1982 o governo do estado inaugurou um edifício no bairro do Centro, em frente à Praça dos Martírios, e a Sefaz foi transferida para o prédio novo, deixando assim o antigo prédio desocupado. Com isso o fundador do MISA, doutor Braúlio Leite Junior, conseguiu com o governo do estado transferir o acervo do MISA para o atual prédio. 

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Bráulio Leite Júnior, fundador do Misa. Foto: Thaís Andrade

Arquitetura


O prédio foi construído inicialmente no estilo da arquitetura neoclássica. No entanto, com o passar dos anos o edifício recebeu algumas reformas e adaptações. Hoje o MISA conta com entrada para cadeirantes e elevador para dar acesso ao primeiro andar que só foi construído em 1917.

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Imagens das estruturas do museu. Foto: Thaís Andrade

Acervo do MISA


A maior parte do acervo do museu foi adquirida por doações da população alagoana. Na década de 80 foram publicados anúncios em jornais impressos solicitando a população doação de equipamentos e itens ligados ao audiovisual como rádios antigos, discos, CDs e fotografias antigas de Maceió. 

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Placas sinalizando os serviços prestado pelo museu. Foto: Thaís Andrade
O museu conta com um acervo de cerca de 12 mil fotos da antiga Maceió, 8 mil discos de vinil, 800 fitas de áudio e 2.500 vídeo cassete. E é contemplado também com acervo tridimensional que contém rádios, vitrolas, gravadores e retroprojetores antigos e alguns mais atuais dos anos 2000, perpassando a história do audiovisual. 

Além de seus diversos equipamentos, o MISA também é possui um auditório, que é usado para exibição de documentários, fotografias, workshops e seminários. Com a biblioteca e o salão de exposição, a cada mês o espaço recebe um trabalho artístico diferente como fotos, artesanato e pinturas. Geralmente a preferência é dada aos artistas alagoanos para as exposições temporárias de 30 a 45 dias. 

Núcleo de Produção Digital

Por se tratar de um museu de audiovisual, o MISA também abriga um Núcleo de Produção Digital (NPD). Esse setor disponibiliza equipamentos para a produção de documentários, filmes e videoclipes. Para isso é preciso preencher um ofício declarando quais equipamentos deseja, por quanto tempo precisará deles e do que se trata a produção audiovisual e dar entrada na Secretaria de Cultura do Estado (Secult).


Nos bastidores do MISA

Gilberto Leite Filho hoje trabalha como pesquisador e historiador no MISA, mas sua carreira no museu começou no início da década de 80. Gilberto começou como estagiário, catalogando fotografias e recortes de jornais, e durante os 36 anos de carreira passou por algumas etapas do museu. 

Segundo Gilberto, o museu é de grande importância para pesquisas acadêmicas principalmente para os cursos de arquitetura e história. Além de ser parte do patrimônio cultural de alagoas.

O pesquisador conta com pesar a falta de visitantes locais e acredita que os alagoanos não dão o devido valor à sua cultura. “97% da população que frequenta o museu são turistas, os alagoanos visitam muito pouco os museus”, afirmou.

O museu recebe uma faixa de 200 visitantes por mês.


Acervos 

Os filhos do então falecido jornalista e ativista político foram quem decidiram doar objetos pessoais de seu pai para o MISA com o intuito do museu criar um espaço Freitas Neto. O MISA também tem o Espaço Jornalista Valmir Calheiros e Espaço Edécio Lopes que era radialista pernambucano, todos os pertences encontrados no Misa foram doados pelas suas famílias, assim como o acervo do Freitas Neto.
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Acervo Freitas Neto. Foto: Thaís Andrade
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Placa indicando sala do acervo do jornalista Valmir Calheiros. Foto: Thaís Andrade
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Placa indicando a sala de acervo do radialista Edécio Lopes. Foto: Thaís Andrade

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Acervo Edécio Lopes. Foto: Thaís Andrade

Serviço

Segunda a sexta de 8 às 17 horas. Jaraguá é um bairro majoritariamente comercial e aos fins de semana e após o horário comercial se torna um ambiente deserto. Por motivos de segurança o museu não abre aos fins de semana nem aos feriados.