10 de abr. de 2019

Rádio difusora: Uma Cultura Ameaçada

Por Graciele Oliveira e Izabel Lopes

Givaldo Kleber Albuquerque atua no IZP desde que concluí o Curso de Radialismo (em 1989 - turmas pioneira de AL), na antiga ETFAL - Escola Técnica Federal de Alagoas. Seu primeiro estágio foi na Rádio Educativa FM, na época integrante do ITEAL - Instituto de Tecnologia Educacional de AL, vinculado à SED - Secretaria Estadual de Educação. Estreou com o Programa "MITOS DA MPB", produzido e apresentado pelo mesmo. 

Cortesia de Givaldo Kleber

“Era um programa semanal que relatava a vida e a obra dos grandes nomes da nossa música, intérpretes e/ou compositores”, explica Givaldo.

De estagiário, Givaldo se tornou funcionário da casa cedido pela SED. No ano seguinte estreou outro programa semanal: MPB EM FOCO que abria espaço também para artistas locais.

O programa ficou 16 anos no ar. Anos depois o radialista criou vários outros programas e atuou como programador musical da programação diária durante seis anos.

Integrante da IZP há 30 anos 

Hoje, Givaldo é responsável pela produção de programas, eles são: ALMANAQUE e APLAUSO (na Educativa FM, reproduzidos também na Difusora AM); RÁDIO SAUDADE (na Difusora AM) e produz e apresenta ETERNAMENTE JOVEM também na Difusora AM e é retransmitido pela NOVO HORIZONTE FM de Chã Preta, sua terra natal. 

Cortesia de Givaldo Kleber

A incerteza da permanência local da sede do IZP e um drama sofrido como morador e profissional atuante na região

Como a sede do IZP - Instituto Zumbi dos Palmares, que abriga as rádios Difusora e Educativa, se localiza no CEPA, ao lado do Pinheiro, a situação do bairro tem sido alvo de muita preocupação para os moradores e regiões vizinhas. Incertezas, desmotivação, famílias saindo de suas moradas sem saber se um dia vai poder voltar. A cultura de bairro, escolas pode um dia não mais existir. Givaldo, como morador, professor e radialista tem sentido de perto toda a fatalidade.

“O bairro que moro há onze anos, tem nos preocupado bastante devido à situação de instabilidade e informações desencontradas sobre o futuro do bairro que tem sido alvo de tantas falácias nos últimos meses”, diz Givaldo.

Givaldo Também atua como professor no CEPA, no Instituto de Línguas. O CEPA está no mapa de risco, preocupando alunos e professores das instituições.

“Fico receoso com o que vem acontecendo no bairro, deixando professores, funcionários e toda a comunidade discente apreensivo. Há alunos que até desistiram de estudar em algumas unidades escolares do CEPA. A situação é demasiadamente preocupante, mas até agora, não temos nada de concreto sobre o que realmente está acontecendo e qual o futuro de todos que convivem com essa situação. Todos estão sendo prejudicados com isso. Seja psicologicamente ou financeiramente”, afirma Givaldo.

Trajetória da rádio Difusora 

A Rádio Difusora, a pioneira do Estado, tem uma relevante história na radiodifusão nordestina. Seu alcance vai muito além das fronteiras do Estado de Alagoas.

Cortesia de Givaldo Kleber
“Era um sonho trabalhar na pioneira, escola para tantos radialistas e jornalistas. A emissora já teve vários endereços: Rua Pedro Monteiro, Praça dos Martírios, Av. Fernandes Lima, Rua Barão José Miguel e agora está sediada dentro do CEPA”, acrescenta.

Ao longo da sua trajetória, a Difusora foi líder de audiência, promoveu festivais de música, concursos juninos, eventos carnavalescos e culturais de um modo geral. Hoje sua programação é bem eclética, mas seu carro-chefe é o futebol. 

Os ouvintes de Rádio AM mantêm um vínculo muito forte com a emissora e seus funcionários. “Recebemos quase diariamente a visita de fãs que nos levam brindes, presentes, lanches e fazem questão de nos conhecer pessoalmente, e, assim, firmamos muitas amizades”, declara Givaldo. 

Segundo Givaldo Alguns ouvintes não querem que a emissora migre para a faixa das FMs com receio que a programação e esse convívio venham a ser alterado. “Muitos fazem questão de participar da nossa programação via telefone”, afirma.

A participação ativa da rádio no caso Pinheiro  

A Rádio tem dado cobertura ao que vem acontecendo no bairro do Pinheiro e mantém seus ouvintes sempre bem informados através dos inúmeros programas jornalísticos que compõem a grade da emissora que também abre espaço para as autoridades e integrantes da comunidade para debater sobre a calamidade que vem passando o bairro.

“Meu sentimento sobre o que está acontecendo no bairro do Pinheiro é de injustiça, descaso, abandono. As autoridades pouco têm feito pelos moradores. Muitas promessas, falácias, conjecturas... Mas de concreto: nada! Teremos que abandonar nossos lares e a sensação é angustiante. Qual será o nosso futuro? Quem garante a nossa integridade e dos nossos patrimônios? Esperamos que os problemas sejam resolvidos o mais breve possível e da melhor forma também”, diz Givaldo.