27 de abr de 2019

Maceió - Rio - Mundo

14 anos da banda Fino Coletivo

Por: Lucas Maia

Já elogiada até por Lulu Santos e com a música “Uma Raiz, Uma Flor” correndo o mundo na trilha da novela Caminho das Índias, a banda que surgiu de um papo de bar em 2008 e agora chega aos 14 anos de estrada. Conversamos com o cantor e compositor Alvinho Cabral para conhecer um pouco melhor essa história.

1. O Fino Coletivo é uma banda com mais de 10 anos de estrada, alguns prêmios, música tema de novela. São muitas conquistas. Quais são as conquistas que vocês consideram mais importantes?

Sem dúvida colocar uma música na novela da Globo foi algo que levou a gente pra um lugar melhor. Para um posicionamento de mercado melhor.

Porém ganhamos dois premios muito importantes nesses últimos tempos: o melhor disco do ano, de acordo com o Jornal O Globo, e aquele que nós consideramos o mais importante de fato, que foi o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte. Esse é um prêmio muito importante onde nós ganhamos como banda do ano.

2. Boa parte das bandas são ligadas a uma cidade. Algumas cidades são notórias pelas bandas que produzem. Mas uma banda de sucesso começar no improvável eixo Rio de Janeiro - Maceió é novidade. Como isso foi possível?

Na verdade a ligação Maceió-Rio do Fino Coletivo se dá pela minha ida e a do Siri para o Rio. Isso se deu pela falta de possibilidades que a gente encarava em Maceió. O resto foi meramente um presente do destino.

3. Fala um pouco mais sobre como foi o início de tudo.

Eu tocava com o Wado na época. Éramos parceiros em algumas composições e tocava com ele, e nós resolvemos tentar a sorte no Rio. E foi onde conhecemos o Marcelo Frota e o Alvinho Lancelotti numa esquina de um bar em Botafogo, onde eu morava, e aí nós tivemos a idéia de fazer um coletivo de compositores. Daí o nome: Fino Coletivo.
Nessa mesma época o Siri também foi pro Rio e entrou na banda. Basicamente tudo surgiu de um papo em um bar na esquina da Rua Álvaro Ramos, que era onde eu morava.

4. Há pouco tempo atrás, pra se fazer música e obter sucesso não bastava só talento musical. A gravação de discos físicos exigia grandes empresas capazes de cuidar de toda uma produção com características industriais.
Hoje é possível lançar álbuns ou singles em plataformas digitais de maneira muito mais simples. No último ano o Fino alcançou incríveis 3 milhões de ouvintes em 65 países. Como você enxerga essa mudança no mercado de música?

O avanço da tecnologia e o avanço da internet viabilizou que todos os artistas de modo geral consigam seu próprio espaço na rede. Isso fez desmoronar as grandes gravadoras que monopolizavam o que a gente ia ouvir. Isso é ótimo, principalmente pra quem consome arte, que tem a possibilidade de ouvir pessoas que antigamente não teriam voz. A rede populariza os artistas.

Eu fiquei realmente impressionado com os mais de 3 milhões de ouvintes no Spotify. Isso é maravilhoso. Apesar de estarmos assinados com uma subdivisão da Sony, que é uma multinacional, o mercado digital é hoje o que nos importa de fato, pois é ele que tem um alcance total e irrestrito para todo mundo.

5. No mês passado vocês lançaram o excelente single Furos de Anzois. A música fala sobre as chegadas e partidas que acontecem na vida. Pode falar um pouco sobre o processo de composição da música?

Eu fiz essa música não necessariamente por estar vivendo o que a música fala, mas por estar imerso nesse sentimento de que as coisas são voláteis, os relacionamentos são voláteis, do quanto é doloroso abandonar o amor, abandonar uma pessoa.

Essa música é uma ode ao desprezo do amor. Ela está mais relacionado a aprender do que com a dor.

Apesar da música falar na dor de mil furos de anzois, ela quer falar mais sobre aprender que as coisas vão embora do que necessariamente com a separação.

6. Uma última pergunta de fã. Quando vamos assistir a um novo show em Alagoas?

Em 2019 nós resolvemos mudar o foco empresarial, e por uma questão estratégica decidimos visar mais o mercado musical da Europa. Pra isso o Daniel, que é quem sempre cuidou da parte burocrárica da banda, se mudou pra Portugal e criou, como uma subdivisão da Sony, o selo Miranda Records. Foi por esse selo que lançamos os últimos dois singles e vai lançar as próximas novidades do Fino.

Nosso plano é em 2020 fazer uma turnê na Europa e uma turnê no Brasil. Com certeza o Rio e Alagoas estão no roteiro. Então, com certeza absoluta, em 2020 vai ter show do Fino em Maceió.