3 de abr de 2019

Centros Culturais em Maceió Sentem a Ausência da População Local nos Seus Eventos Regulares

Por Emanuelle Borba, Ellen Renata, Jaqueline Martins e William Makaisy



Apesar de existirem dezenas de museus em Maceió, a conservação cultural e histórica da cidade ainda é pouco acessada por seus moradores. Uma das maiores dificuldades dos museus da cidade é atrair o público local para os eventos culturais.
Normalmente com programações alternativas, os centros dispõem de atrações distintas, mas ainda contam com um público defasado. Apesar dos serviços oferecidos, a presença massiva dos moradores locais é direcionada a outros eventos, o que enfraquece o viés cultural e desvaloriza as ações ara preservação histórica do acervo local e nacional, por exemplo.
Como opção para entretenimento, mesmo com o largo número de ambientes culturais, o público ainda se volta para desfrutar do final de semana em ambientes pré-definidos. Os jovens, público quantitativo e gerador de renda para o comércio, se direcionam para atividades musicais e esportistas com maior frequência. Logo, shows, bares e praias são as primeiras opções desse grupo no mercado de entretenimento local.
Em busca de compreender como o fenômeno se aplica na prática, três pontos culturais foram escolhidos para a aplicação da análise sobre o que de fato acontece para a pouca ida do público aos eventos criados. Entre museus e complexos culturais, foram analisadas além da estrutura e perfil do espaço, a sua relação com o seu público frequentador.
Museu da Imagem e do Som de Alagoas - Misa
Crédito: Divulgação

De acordo com Gilberto Leite, pesquisador do Misa, cerca de 95 % dos seus visitantes são turistas. Assim, o  número de visitas aumenta na época de alta temporada, entre os meses de Novembro a Março. Para atrair o público local nesse mês de férias, o museu está promovendo o Férias no Misa, evento gratuito que exibirá sessões diárias cinema até fevereiro. As sessões acontecem de Segunda a Sexta no auditório do Museu e possui entrada gratuita.
Localizado no Jaraguá, o Misa é um dos principais Museus de Maceió e destaca-se no investimento em pesquisa nas áreas de audiovisual e fotografia.     
          (Foto divulgação: Férias no Misa)
Gilberto, no momento, também está em andamento o projeto “Patrimônio Vivo de Alagoas”, que busca através de um série de filmagens registrar os patrimônios culturais marcantes do estado.

Museu Théo Brandão de Antropologia e Folclore - MTB
Localizado no Jaraguá, mais precisamente na Avenida da paz, o museu é um equipamento cultural da Universidade Federal Alagoas (UFAL). O monumento para ser um residência constitui hoje um dos mais significativos exemplares da arquitetura de Maceió.
De acordo com Líris, aluna de design da UFAL, que atualmente recebe uma bolsa da Universidade para trabalhar no museu, o público do museu vem cada vez crescendo mais. O público é composto em torno de 90% por turistas que descobrem o museu através de eventos divulgados nas redes sociais. O MTB também promove diversas oficinas e eventos para atrair as pessoas, como o Mês da criança, oficina realizada no mês de outubro e que atrai diversas famílias.

Centro Cultural Arte Pajuçara - Cinearte
O esvaziamento é uma realidade central em todos os pontos, seja por pouca divulgação, programação restrita a um caráter educacional ou a localização, todos os pontos sentem a dificuldade da presença constante do público, e nesse caso em específico o valor não é a justificativa para o baixo número de público frequente,
Na Pajuçara, o Centro Cultural contempla mais do que cinema, e apresentações teatrais também são viabilizadas no espaço, por exemplo. Mesmo com portfólio variado, o Centro é mais um o qual a direção sente a ausência de um público jovem local, que direciona a sua preferência de entretenimento para bares, shows e praia no final de semana.
Mas apesar da fragilidade do público assíduo, segundo Marcos Sampaio, diretor do Centro Cultural Arte Pajuçara, espaços como esses ainda são vitais para a cidade, pois são umas das poucas opções que ofertam produtos culturais. Estes, entre outras funções, acaba por levar para o público uma opção diferenciada de divertimento ao público de Maceió. Longe de apresentar conteúdos dos cinemas e teatros convencionais, com produtos como filmes e espetáculos teatrais independentes, a maior arma desse e dos demais centros são provocar reflexão, diálogo e retratar a realidade que a própria população já vivencia. Opondo-se, por exemplo, à figuração Hollywoodiana.

Mão Dupla
Com isso, se por um lado a capital Maceioense dispõe de um largo menu de possibilidades para finais de semanas divertidos, em sua maioria baseado no menu disponível na orla da cidade, por outro, locais de preservação e incentivo cultural caem em esquecimento. O público que frequenta os centros culturais  de forma regular é portador de um perfil traçado, com apenas duas possibilidades, em sua maioria: turistas ou pessoas inseridas numa graduação.
Dessa forma, fica evidenciado que por fatores múltiplos há uma sutil desvalorização da arte em geral, que passa a não ser prestigiada pelo público a qual é direcionada. Falta de divulgação, pouco incentivo municipal e localização inviável são só alguns dos pontos que prejudicam o acesso do público a uma diferenciada fonte de entretenimento.

(Foto: Exibição de Filmes no Misa)