19 de mar. de 2019

SMC e seus Patrimônios históricos

Espaços que mantém viva a história de São Miguel dos Campos


Por Graciele de Oliveira e Izabel Lopes


Característica de uma beleza ímpar, selvagem, com suas três lagoas: Lagoa do Jequiá (a maior delas), Lagoa Azeda e Jacarecica. Município do estado de Alagoas, que contribui para a formação de uma rica história de patrimônios históricos alagoanos, a cidade de São Miguel dos Campos.

A cidade de São Miguel dos Campos situa-se inteiramente sobre a bacia sedimentar de Sergipe-AL, sua população, atualmente, é estimada em 61.204 habitantes. O pequeno município tem uma trajetória rica desde 1501, quando encontrada pelos portugueses, através do rio São Miguel. Índios Sarnambis, remanescentes dos Caetés, foram os habitantes encontrados pelos os portugueses.

O povo Miguelense é marcado por sua bravura, que pouco é conhecida, tanto pelos alagoanos, quanto pelos moradores da geração mais nova. Destaca-se um marco primordial de sua cultura e história, a participação dos miguelenses na luta contra os Holandeses, na destruição do Quilombo dos Palmares e na revolução republicana de Pernambuco, em 1817. 

Casa da Cultura/Casarão
Crédito: Divulgação

Um dos patrimônios históricos dos Miguelenses, é a Casa da Cultura, ou “Casarão”, como é conhecida por todos, sendo o ponto de referência para aqueles que nunca foram à cidade.
A Casa da Cultura funciona atualmente como museu, o monumento antigo, apresenta um valioso acervo. Mas, até ser um museu e biblioteca, tem muita história, vidas e personagens importantes por trás desse grande monumento histórico.  

O monumento – O antigo Palacete dos Barões de São Miguel foi originalmente construído para servir como residência da família do Barão Epaminondas da Rocha Vieira e sua esposa Antônia Leopoldina da Rocha Vieira, ambos descendentes de personagens importantes no contexto histórico alagoano, o Visconde de Sinimbu e Ana Lins.

Pertenceu aos barões de São Miguel dos Campos, Epaminondas da Rocha Vieira e Antonia Leopoldina de Rocha Vieira, ambos eram primos, o senhorial sobrado existe desde o início do século XIX, mais ou menos no ano de 1827, o Barão, filho de Francisco Frederico da Rocha Vieira, irmão do Visconde de Sinimbú, neto de Ana Lins e Manuel Vieira Dantas.

A baronesa caridosa, simples sem ferir o porte de grande dama, vivia de coração aberto a todos e aos que a visitavam no luxuoso solar coberto de tapetes, em meio das conversadeiras de palhinha e jacarandá e ao brilho dos lambris dourados e dos candelabros de cristal. O Barão faleceu em 1897 e a Baronesa em 1914, registro encontrado nas pedras tumulares do cemitério miguelense. Ela morreu 17 anos após o marido e a residência baronial popularizou-se como o sobrado da Baronesa.

Possuidores de engenhos, sem pagar os impostos, perderam o palacete para o Estado. Vindo a ser a primeira prefeitura de São Miguel dos Campos, a Prefeitura na época da intendência (quando os prefeitos eram indicados pelo governador), a Recebedoria Estadual e a Cadeia Pública. Quatro quartos do palacete se tornarão as celas, chegando ocupar 50 presos, por cela, segundo o historiador Ernande Bezerra de Moura, responsável hoje em apresentar a Casa da Cultura aos visitantes. 

A residência aristocrática foi transformada em Casa da Cultura no dia 04 de fevereiro de 1984, ocupava o governo do Estado Divaldo Suruagy, Prefeito Wellington Apratto Torres, e o Secretário Estadual de Educação e Cultura o miguelense Profº Douglas Apratto Tenório, que contribuíram para sua fundação através de requerimentos aprovados pelos vereadores da época.

Doações dos moradores da cidade 

A Casa da Cultura foi estruturada a partir de doações de moradores voluntários, que de porta em porta iam solicitar peças para compor o acervo, dentre eles Vânia Alves de Sá (1ª Diretora), José Barbosa de Moura, Milton Moura, Marly Ribeiro e o pintor miguelense Fernando Lopes, que doou grandes obras reunidas por ele para a Casa. Ao longo dos anos a Casa da Cultura passou por várias mudanças na busca de atender os anseios da sociedade que participava ativamente das atividades culturais (cursos, apresentações teatrais escolares, recitais de poesias, sarau dentre outras).

Foto: Izabel Lopes / Arquivo Casa de Cultura

 
A Casa de Cultura e museu cultural Fernando Lopes, é constituída por um acervo que possui um valor memorável para os artistas tanto da cidade de São Miguel dos Campos, como artistas de cidades vizinhas e de toda Alagoas. A casa homenageia muitas figuras ilustres de Alagoas, como: Fernando Lopes, um dos grandes pintores alagoano, professor Douglas Apratto, Marilia Candida Palmeira, Roberto Lopes, Nair de Albertina, José Barbosa de Moura entre outros homenageados.

Foto: Izabel Lopes / Acervo Casa de Cultura


O Patrimônio Cultural é muito importante para manter a identidade e história da cidade viva, de acordo com Ernande Bezerra. “A Casa da Cultura, é extremamente importante para nossa cidade, porque podemos ver a identidade cultural da cidade permanecer, além de tornar público nossa história para visitantes de outras cidades”, disse Ernande.

Foto: Izabel Lopes / Acervo Casa de Cultura
Biblioteca Pública Municipal Hildebrando Guimarães

Foto: Izabel Lopes / Acervo da Biblioteca Hildebrando Guimarães

Para promover a cultura e educação foi construído a Biblioteca Pública Municipal Hildebrando Guimarães, que foi inaugurada no dia 29 de setembro de 1999. Na época o prédio que hoje é a biblioteca, era um mercado público que vendia carne. Ainda no governo do prefeito Nivaldo Jatobá, foi criado um projeto para construir uma biblioteca pública e torná-la um local para melhor aproximar os miguelenses da cultura e educação. 

Em 2016, a biblioteca ficou desativada por nove meses. Esse curto período foi para reformar e climatizar a Biblioteca. Com o apoio da Prefeitura de São Miguel dos Campos, Secretaria de Estado e Cultura, a Biblioteca Hildebrando Guimarães, recebe uma nova imagem.
O acervo que constitui a Biblioteca é composto por doações. Depois da reforma a biblioteca passou a oferecer melhor conforto para os visitantes. O espaço destinado aos visitantes é montada por livros de literatura Brasileira, literatura estrangeira, poesia, romance, todos os livros são divididos por tipologia. Os visitantes também têm acesso à internet e computadores para facilitar as pesquisas escolares, o ambiente também possui sala de leitura infantil, criado para acomodar e facilitar a leitura para as crianças.

Foto: Izabel Lopes / Biblioteca Hildebrando Guimarães


Com a reforma, a procura por livros aumentou, de acordo com a diretora Eliane Santos. “Depois da reforma, o número de usuários a procura de livros, teve um aumento significativo, e isso nos deixa muito feliz, pois entendemos que o nosso trabalho está conseguindo alcançar ainda mais pessoas”, destacou.

A Biblioteca além de ser um espaço Público aberto para todos os públicos, também atende outras atividades culturais, como: saraus, projeto voluntários do saber, casa lar, escolas, centro de diagnóstico e o hospital. Todas essas atividades ajudam a promover ainda mais a leitura e cultura.

Foto: Izabel Lopes / Biblioteca Hildebrando Guimarães


Hoje o acervo é composto por mais de cinco mil livros, com horário de funcionamento das 08h00 às 18h00, todos podem ter acesso ao local. O sistema de empréstimo de livros só é permitido aos que possuem a carteirinha da biblioteca, que empresta até três livros, que podem ser renovados depois de dez dias.

Para a diretora Eliane, a Biblioteca além de ser um espaço para estudo, é também um ponto de encontro para ideias, pesquisas e conversas. “Um local que permite aos alunos um ambiente favorável que ajuda a promover a educação”, declarou a diretora.