4 de jun de 2018

Corufal e Coro Universitário

Os projetos levam a música para todas as classes do povo alagoano 


Por Débora Siqueira e Esmerino de Lima


(Coro Universitário em Penedo. Foto: Reprodução Facebook)


O Corufal existe há 45 anos, e foi criado pelo professor e maestro Benedito Fonseca, com o intuito de disseminar a cultura musical no estado de Alagoas através da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Desde sua criação, o Corufal atua no campo cultural do estado levando a música para todas as classes através de suas apresentações.

Os ensaios do coro ocorrem na sala Benedito Fonseca, que por sua vez é dentro do Espaço Cultural Salomão de Barros Lima, na Praça Visconde de Sinimbu, no Centro da cidade de Maceió, onde, antigamente, funcionava a antiga reitoria da Ufal.

Participam do Corufal tanto alunos da Universidade como pessoas da comunidade maceioense. No entanto, os alunos que integram o coro possuem uma bolsa, que é paga para que estes possam frequentar os ensaios. Já os integrantes da comunidade são voluntários. Muitos destes participam por orientações médicas, já que a música também funciona como uma terapia ocupacional, dessa forma o projeto auxilia no tratamento de pessoas com problemas de depressão.

Um dos projetos de extensão do Corufal é o Coro Universitário, que foi criado pelo atual coordenador dos coros com o desígnio de ser um laboratório para os estudantes do curso de música, mas que qualquer estudante da Ufal, independente do curso, pode participar. Um dos estudantes do curso de música, e integrante do Corufal e Coro Universitário, Ayrton Freitas Barbosa Moura (35), disse que acredita que a partir da criação do Coro Universitário os alunos de canto puderam ter a oportunidade de treinar a regência e preparar peças para apresentações, coisas que antes só eram feitas na sala de aula.

            O repertório do Corufal é variado. Composto por músicas eruditas, populares, folclóricas e regionais. Em geral, o coro prepara um repertório por período, e as músicas desse repertório são mescladas, de modo que independente da apresentação que o coro possa fazer, independentemente do local em que for cantar, todas as pessoas possam desfrutar de boas peças e excelentes arranjos, tanto na música erudita quanto na popular, de Hendel a Djavan.

Maria das Vitórias (63), professora de canto pelo departamento de música, é a atual regente do Corufal. Ela trabalha há mais de 40 anos na área musical com enfoque em corais. “Há eventos que a universidade promove, e a gente atende à convites especialmente da universidade, mas também a convites diversos, contanto que sejam feitos com antecedência para podermos nos preparar. O coro pertence à universidade, e como tal não pode receber cachê. E para cantarmos em eventos ele precisa ser de cunho cultural, não cantamos em casamentos, por exemplo.

Para participar do Corufal e Coro Universitário, a pessoa precisa fazer uma seleção. Esta consiste em cantar uma música, que é escolhida pelo participante, além de cantar com alguns integrantes dos coros. Isso ocorre porque alguns dos requisitos para a seleção são: capacidade para trabalhar em grupo; capacidade de executar o repertório nos ensaios; assiduidade; produtividade e disciplina.

Coro Ângelus

            Há 13 anos aproximadamente, nascia o Coro Ângelus tocando diversos ritmos musicais, da música clássica ao popular como Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. O objetivo era apenas animar a liturgia nas missas na paróquia, mas depois o coral foi aperfeiçoando e recebendo convites para participar de festivais. Os fieis ficavam atentos a cada apresentação no templo.



Coro Ângelus presente na festa de São Sebastião na cidade de Ibateguara (Foto: Reprodução / Facebook)


Com cerca de 25 integrantes, entre sopranos, contraltos, tenores e baixos, o Ângelus foi formado pelo maestro Manoel Júnior em 2005. Quando o jovem decidiu montar o coro, que antes era cantado na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no bairro do Vergel do Lago, em Maceió. Mas, segundo o maestro Júnior, hoje está na Paróquia São José, localizada no bairro do Trapiche.

O maestro Manoel Júnior trabalha com pessoas de várias idades, com trabalhos e religiões diferentes, para ele tem sido um desafio. “Além disso, existe o trabalho de conseguir a uniformidade vocal entre tantas pessoas com vozes e timbres diferentes e muitas vezes sem experiência nenhuma com o canto”, ressalta Júnior.

De acordo com o maestro, ele foi expulso do seu primeiro coral. Entretanto, daí por diante, resolveu estudar música por conta própria, para mostrar que não era desafinado. Mas segundo Júnior, ele não é do tipo que descarta os alunos de primeira.

“Não sou do tipo que descarto de primeira, porque em um teste vocal existem muitas coisas que podem prejudicar na audição e fazer com que a pessoa não se saia bem, como nervosismo, ansiedade... mas sempre dou um período para adaptação da pessoa”, explica o maestro.

Contudo, o Coro Ângelus é independente, depende apenas da contribuição mensal que cada participante faz com uma quantia de R$ 10,00. Também já recebeu diversos convites para participar de festivais pelo Nordeste e em várias cidades do Brasil, mas por condições financeiras e sem apoio, não conseguem fazer essas apresentações em âmbito nacional.

Para o presidente da Federação Alagoana de Coros (FAC), Ivan Barsand, a música traz a oportunidade de múltiplas reflexões, fazendo com que o ser humano esqueça as dificuldades da vida, tendo em vista expressões de amor, paz e alegria. “A canção toca o coração das pessoas, independente de ritmo e forma. Acima de tudo, a nossa expressão mais forte é a música, pois ela transforma o ser”, frisou Barsand em entrevista para o site GazetaWeb.

Tendo em vista, o maestro Júnior sempre foi fã da música erudita e clássica, porém, ele tem que agradar a todos. Então passa a cantar todos os estilos musicais.
Apresentação na Igreja Nossa Senhora de Guadalupe na Barra de São Miguel
(Foto: Roossélma Pontes)

Definição da palavra “Coro” e onde surgiu


De acordo com a Revista Campo e Cidade, o Coro é considerado o mais antigo entre os grandes agentes sonoros coletivos. Nasceu de uma prática coral ligada aos cultos religiosos e às danças sagradas no antigo Egito e na Mesopotâmia.

Entretanto, o termo Coro é originário da palavra grega choros, que significa cortejo ou cortejo dançante, indicando que o canto estava atrelado à dança. O termo também se referia inicialmente ao espaço reservado a dançarinos e cantores na Grécia antiga. Com o passar do tempo, a palavra coro associou-se ao canto coletivo.