12 de jan de 2015

Pajé e pesquisador lançam livro nesta terça-feira em Maceió

Acontece nesta terça-feira (13), a partir das 19 horas, no Ser-Afim Espaço Natural, o lançamento do livro Una Isi Kayawa — cura Huni Kuî do Rio Jordão. O trabalho pioneiro  reúne o profundo conhecimento das plantas e as práticas medicinais deste povo indígena.




Espalhado pelo estado do Acre, sul do Amazonas e Peru, o povo indígena Huni Kuin sempre encontrou a cura na natureza, graças à sua estreita ligação com a floresta e seu conhecimento milenar das plantas. Cultivadas em jardins medicinais, diferentes espécies tratam enfermidades físicas e espirituais.

Mais de 100 espécies terapêuticas estão agora apresentadas em textos e imagens no recém-lançado “Una Isi Kayawa — Livro da cura Huni Kuî do Rio Jordão” (Editora Dantes, 260 páginas), organizado pelos pajé Agostinho Manduca Mateus Ika Muru e o etnobotânico Alexandre Quinet, pesquisador do Jardim Botânico do Rio. A publicação era um sonho antigo do pajé Manduca, falecido em 2011: perpetuar no registro impresso a cultura medicinal do seu povo, antes restrita à transmissão oral. Fruto de um longo processo, que incluiu cinco expedições ao Rio Jordão (Acre), entrevistas com pajés, coletas e catalogação de material botânico, além de residências de tradutores no Rio de Janeiro, o projeto é uma troca inédita de experiências entre o Centro Nacional de Conservação da Flora do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico e os Huni Kuin. Incorpora a aplicação da pesquisa técnico-científica do “homem branco” ao conhecimento das culturas tradicionais dos índios.

O registro das plantas da terapêutica indígena segue uma divisão mítica de quatro grupos (Dau, Inani, Inu, Banu). A apresentação das concepções espirituais dos Huni Kuin (também conhecidos como Kaxinawás) é essencial — para eles, não há uma separação clara entre ciência e religião. A aplicação de ervas é acompanhadas por cantos, e o processo de cura envolve uma intrincada relação com os outros seres vivos.

A ligação do homem com as plantas vem desde os primórdios, quando a busca da cura das doenças estava diretamente relacionada com a crença num poder das potestades na natureza, e, em particular, no mundo vegetal.

A edição do “Livro da cura”, que conta ainda com fotografias de Gabriel Rosa e do artista plástico Ernesto Neto, entre outros, se guia esteticamente pelos cadernos e desenhos dos pajés. Experimenta uma diagramação de janelas e proporções livres e orgânicas, além de usar um papel feito de plástico reciclado, que o torna resistente às condições úmidas da floresta, onde deverá ser distribuído.

Outros conhecimentos

Para os Huni Kuin a terra é de uso coletivo; as famílias, chefiadas pelos homens fazem seus roçados, utilizando os espaços disponíveis para o plantio de forma que toda a comunidade possa utilizá-los. Os trabalhos na aldeia são divididos por sexo e por idade. Há atividades realizadas somente por mulheres, outras exclusivamente por homens, algumas reservadas para os mais jovens, mas há também trabalhos que podem ser realizados por qualquer pessoa da comunidade, de ambos os sexos e de qualquer faixa etária.

Aproveitando a presença dos representantes da tribo Huni Kuin em Maceió, os participantes terão a oportunidade de participar da oficina de artesanato Huni Kuin com miçangas.

Os Huni Kuin possuem uma vasta cultura material que vai desde a tecelagem em algodão, com tingimento natural, cerâmica e missangas onde são impressos os kenê (desenhos gráficos de seres da floresta), cujo significado está relacionado à coragem, força, poder, sabedoria e proteção. O artesanato se configura como uma das principais fontes de renda das famílias Huni Kuin, devido ao seu belo design tem uma grande aceitação no mercado regional, nacional e internacional.



Serviço

O que: Lançamento do livro Una Isi Kayawa — Livro da cura do povo Huni Kuin do Rio Jordão
Quando: 13 de Janeiro, terça-feira, às 19h30
Quanto: Gratuito
Onde: Ser-Afim Espaço Natural (Rua Paulina Maria Mendonça, 141 - Jatiúca)

O que: Oficina de artesanato Huni Kuin com miçangas
Quando: 14 e 15 de Janeiro
Quanto: R$ 100,00
Onde: Ser-Afim Espaço Natural (Rua Paulina Maria Mendonça, 141 - Jatiúca)
Inscrições: moa.amanda@hotmail.com
 
Fonte: Agência de Notícias Ciência Alagoas, com Ascom
Publicado: 12/01/2015*