29 de set de 2014

Estado de Medo: Um relato sobre a violência contra mulher em Alagoas




            Quando o assunto é violência, Alagoas figura nas primeiras colocações de um amargo ranking. Segundo o Mapa Nacional da Violência 2013/2014, a capital alagoana é a quinta mais perigosa do mundo, o Estado é o primeiro colocado em quantidade de homicídio e ocupa a segundo lugar no índice de homicídios de mulheres, com 8,3 mortes para cada 100 mil alagoanas. Segundo dados da Secretaria de Estado da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos (SEMCDH), de 2008 até junho de 2014, foram contabilizados 791 homicídios, sendo 71 somente neste ano, mais de cinco mil denúncias de novos casos por ano.

         Mãe de três filhas e vítima de tentativas de homicídio, Maria da Penha viveu anos de dor e lágrimas causadas pelo marido. Agressões físicas e psicológicas sofridas dentro do próprio lar lhe deixaram paraplégica e lhe renderam páginas de uma triste história que hoje é referência quando o assunto é violência contra a mulher. Ela também foi vítima da morosidade da Justiça brasileira, aguardou 19 anos para ver o marido atrás das grades e hoje dá nome à Lei 11.340, o ponto de largada contra a prática do crime.

         Apesar das punições previstas pela lei, que foi sancionada há oito anos, agressores semelhantes ao do caso de Penha não se intimidaram. A violência vem sendo estampada rotineiramente por noticiários e, em Alagoas, têm sido vista em proporção e gravidade alarmantes. São mais de cinco mil denúncias de novos casos nos últimos seis anos, cerca de 800 homicídios contabilizados entre 2008 e 2014 e uma média de sete mil processos para serem julgados.  

         Com a Lei 11.340, as denúncias aumentaram, mas o caminho à redução das ocorrências ainda é longo. Até lá, histórias como a de Maria Barbosa da Silva, 31, e Gilvanete Rosendo, 40,  que se confundem com a de Penha, ainda tendem a colocar Alagoas em destaque Brasil afora quando em questão estiver os crimes hediondos contra a mulher. Barbosa também vem sendo vítima da morosidade e, desde que foi agredida pelo marido, vive escondida em São Paulo, em estado de medo, com graves sequelas do fatídico dia em que, por um milagre, não entrou para estatística de homicídios decorrentes deste tipo de crime.  


Clique aqui e veja reportagem especial produzida pelos estudantes Lucas Alcântara e Milena Monteiro, do Curso de Jornalismo da Universidade Federal de Alagoas