Planetas encontram-se com a lua, estrelas mudam de lugar ou somem, as sombras do dia fazem movimentos curiosos e o sol…não nasce todos os dias no mesmo lugar. Todas essas coisas acontecendo no céu, mas quem sabe? Muitas vezes, nem os professores que ensinam astronomia nas escolas têm essa informação.
Com o objetivo de aprofundar o conhecimento no assunto e esclarecer questões mais complexas da ciência, o Observatório Astronômico Genival Leite Lima (OAGLL), vinculado à Secretaria de Estado da Educação e do Esporte de Alagoas,realizou em Maceió, no último mês de dezembro, o Encontro Regional de Ensino de Astronomia (EREA), em sua 35ª edição.
“ASTROBOBAGENS”
“Astrobobagens” foi o título da palestra de aberturado evento, tendo como foco os diversos erros que passam despercebidos nas aulas de astronomia e são comuns até mesmo em livros didáticos. A falta de escala nas figuras que representam os corpos celestes e as distâncias entre si, além da posição real dos pontos cardeais geográficos, foram apenas alguns dos muitos pontosexplorados.
A discussão tem bastante a ver com a proposta dos Encontros Regionais de Ensino de Astronomia, conforme o autor da apresentação, Roberto Boczko. “O EREA busca levar aos professores os conceitos de astronomia, o que na verdade já deveria ser aprendido nas escolas, mas geralmente não é. Então, como é que o professor pode dar aula de uma coisa que não aprendeu direito? A ideia é poder fornecer conceitos bem firmados para que esses não sejampassadosde forma errada”, demonstra o estudioso.
Segundo Boczko, o ensino da astronomia está ligado a diversas disciplinas ensinadas na escola e pode tornar suas aulas mais dinâmicas. “Por exemplo, uma aula de física envolvendo astronomia é muito interessante: você pode falar de cinemática, o movimento dos planetas em torno do sol; pode falar em termodinâmica, da temperatura das estrelas, relacionando temperatura e força; pode falar em campo magnético…”, demonstra.“Você consegue, de alguma forma, reformar certos conceitos que basicamente são só de salas de aula em alguma coisa que você vê olhando para o céu!”.
REALIZAÇÃO

Participante observa o sol com um telescópio especial


















O evento foi organizado com a parceria da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) e envolveu palestras, oficinas, observação do céu noturno e do Sol e ainda uma exposição de meteoritos. Os participantes foram tanto professores do ensino fundamental e médio, de vários estados do Nordeste, quanto estudantes de graduação de diversas áreas.
As palestras e oficinas foram ministradas pelosprofessores Dra. Maria Elizabeth Zucolotto,do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (MN-UFRJ), Dr. Roberto Boczko, Dra. Suli Viegase Dr. Ramachrisna Teixeira, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP). Foram abordados temas como erros didáticos, identificação de meteoritos, história da astronomia e evolução estelar.
Representando a UFRJ, o Prof. Dr. João Batista Canalle, atual coordenador dos EREAs e presidente da OBA, o Prof. Dr. Eugênio Reis, do Museu da Astronomia e Ciências Afins(MAST-UFRJ),e o estagiário de física Leandro Soares Farias promoveram oficinas sobre estações do ano, montagem de foguetes e desenho de órbitas. Foram distribuídos livros, planisférios (espécie de mapas do céu noturno) e lunetas para as escolas dos professores participantes.
CONTINUA…
Os estudantes de jornalismo Pedro Barros e Raphael Abs, que chegaram no evento apenas para fazer uma cobertura tradicional, acabaram se envolvendo no encontro e participando das oficinas e palestra. Nos próximos dias, eles seguirão com uma série de posts sobre o que viram e aprenderam no XXXV EREA, além defalar um pouco sobre o ensino de astronomia em Alagoas.

Foto oficial do EREA
SAIBA MAIS:
O endereço http://www.erea.ufscar.br/ disponibiliza informações mais detalhadas sobre o histórico do evento.
Fotos: respectivamente, de Raphael Abs, Pedro Barros e da organização do evento
Texto:  Pedro Barros