O roubo diário de média de 4 carros obriga os alagoanos a aderirem aos seguros de veículos
Engarrafamentos e roubos são graves problemas do trânsito local


“Mas dois veículos foram roubados em Maceió na noite de terça feira”.  Este é um fato corriqueiro que lemos e ouvimos todos os dias nas páginas policiais dos jornais alagoanos.   É triste, mas é uma realidade que incomoda e tira o sono de milhares de proprietários de veículos no estado, que até setembro contabilizava um total de 1060 carros roubados, números que assustam e obrigam aos proprietários a correrem a procura de um seguro.
Segundo pesquisa do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), até julho deste ano, Alagoas possuía uma frota de 530.236 veículos, sendo 239.333 na capital, um aumento de 300% na frota do estado na ultima década.  Este acréscimo se deu principalmente pelas facilidades de acesso ao crédito e o aumento do poder aquisitivo das classes sociais C e D, que passaram a consumir mais e adquirir bens de consumos duráveis como veículos e imóveis.
É justamente a melhora na renda atrelada aos grandes números de acidentes de trânsito e aos altos índices da violência, principalmente de roubos a carros, que levam as pessoas a aderirem aos seguros de automóveis, a fim de resguardar seu bem e amenizar os prejuízos.  Para o Presidente do Sindicato dos Corretores de Seguros do Estado de Alagoas (Sincor/AL), Senhor Alberto Ferreira Marinho, “o automóvel é o bem que sofre o maior risco de ocorrer um sinistro, seja por acidente ou roubo”.
Números da Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos (DRFV), cedidos pelo Delegado Valdir Silva de Carvalho, mostram que até setembro deste ano, foram registrados 1060 reclamações de roubos a carros, um média de 4 automóveis por dia.  Conforme disse o Delegado “os números foram menores entre os meses de julho e setembro”, período em que ele está à frente da entidade.
Prejuízos dos sem-seguro
São dados como estes que contam no momento de adquirir um seguro para um veículo com até cinco anos de uso.  Hoje em dia as pessoas pensam várias vezes antes de sair de uma concessionária após efetuar a compra de um automóvel e não coloca-lo no seguro, caso não os faça, ele estará correndo o risco de perder o valor investido por completo, uma vez que ele pode ser vítima de uma colisão ou de um assalto, como ocorreu com o Publicitário Sebastião Braz da Silva, de 45 anos. Ele foi vítima de um assalto em um supermercado no bairro Santa Lúcia, onde foi levado seu veículo que não possuía seguro.
O sinistro ocorreu no dia 04 de abril deste ano. Após ter deixado a filha na universidade, o publicitário resolveu passar no estabelecimento comercial para comprar alguns mantimentos para o jantar, quando já estava no caixa, dois homens armados entraram e  pediram a chave de um Fiesta Sedam azul marinho que estava no estacionamento.  Como reação, ele deixou cair as chaves e só pediu para os bandidos deixarem sua esposa que estava no veículo.
O publicitário não se preocupou tanto com o bem material, conforme disse “não me preocupei na hora, com o bem, mas sim com a minha vida e a da minha esposa, já que a vida é mais valiosa”,  “depois que passa o susto vem a preocupação financeira, pois como não tinha seguro, tinha que arcar com as prestações que ainda faltavam”.  Além de ter perdido o carro, seu Sebastião ficou com 30 parcelas de R$ 798,00 para pagar, um prejuízo que seria amenizado se ele tivesse coberto com uma apólice.
O sedam roubado foi o segundo, pois Sebastião Braz já tinha sido roubado ha dez anos atrás, quando  levaram um Fiat Uno, este também sem seguro.  Proprietário de 20 carros durante sua vida, o publicitário só assegurou dois, um pálio em 1997 e um Corsa Classic 2012 que comprou após o roubo do Fiesta. Seu Sebastião frisou a importância de um seguro em sua vida “se por infelicidade eu vir a ser assaltado de novo, não terei os prejuízos, nem as dores de cabeça que tive com o Fiesta. Hoje eu dou valor e sei da importância de um seguro, tanto que o Classic tem e eu sempre pago bem antes do vencimento para não ter problema. Mas eu espero não precisar usar”.
Uma nova cultura
Nos últimos cinco anos, a média de aquisição de seguros cresceu em torno de 20% em Alagoas, 8% acima da média nacional que é de 12%.  As vantagens para os segurados são várias e vão de consertos pós uma colisão ou aquisição de um veículo de igual valor quando tiver prejuízo total, seja mediante sinistro envolvendo roubo ou acidentes com perdas totais.  Algumas seguradoras trabalham em acordo com a polícia,  fazendo uso da ciência e da tecnologia para localizar carros roubados ou evitar que o sinistro venha a ocorrer.
Na maioria das vezes é inevitável, pois nem toda ciência empregada pela polícia forense ou a tecnologia criada por empresas especializada em rastreadores ou outros dispositivos, são capazes de evitar os prejuízos, que nem sempre é causado por um ladrão, o problema maior pode estar no momento em que o segurado adquire uma apólice com um corretor irregular.
Dos mais de 530 mil veículos existentes em Alagoas, 40% deles são segurados, um total de 212 mil veículos.  80% são seguráveis, ou seja, aqueles que possuem até cinco anos de uso e que pode ser segurado.  Isto é um prato cheio para que alguns corretores espertos corram atrás dos compradores a fim de vender um produto de qualquer jeito, sem se preocupar com a comodidade destes clientes, que na maioria das vezes não procuram saber se o corretor é ou não regularizado.
Corretor idôneo
Um seguro feito por um corretor irregular não tem garantias.  A pessoa paga um valor x para proteger um bem caro como o automóvel e na hora de um sinistro pode não ter a cobertura desejada, o que lhe gerará enormes dores de cabeça, pois além de ter seu bem danificado ou roubado, ainda vai ter que correr atrás do corretor que lhe vendeu uma coisa e entregou outra que não a contratada.  Para Nelson Peixoto Feijó, Conselheiro Fiscal do Sincor, “ um corretor irregular é aquele que não se preocupa com a idoneidade de sua profissão, muito menos com os problemas causados aos clientes”.

Presidência da Sincor fala sobre importância do registro do corretor
Que diga o Engenheiro Agrônomo Rafael monteiro Chagas (28), que possuía um Fiat Uno 2008 com seguro, quando teve o vidro da porta do Motorista quebrado em frente à sua casa em Junho de 2009, mas de um ano após contratação da apólice. Quando recorreu ao seguro, que lhe garantia uma restituição de 70% do valor danificado mediante apresentação de nota fiscal do serviço, percebeu que a coisa não era tão fácil como parecia.  Rafael se viu estressado com um corretor que lhe vendeu um produto sem garantias ”acabei vendendo o carro e não quis mais saber de seguros, pois até hoje não recebi o valor pago pelo serviço do Uno”.
Na contra partida da irregularidade, ainda segundo Nelson Peixoto Feijó ” O corretor associado ao sindicato tem a credibilidade por estar registrado em uma instituição que preza pela segurança da sociedade e pela garantia na realização de um serviço confiável”.   Alagoas possui atualmente entre pessoa física e jurídica, um total de 225 corretores em atuação, sendo 190 regularizados e associados ao Sincor, todos habilitados e capacitados a atender a população.
Reportagem e fotos de José Ailton Batista dos Santos
Estudante do 7º período de jornalismo da universidade Federal de Alagoas