Re-eleito recentemente presidente da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), o professor Hilário Alencar (IM/UFAL), que também é membro da Acadêmia Brasileira de Ciências (ABC), acumula conquista acadêmicas memoráveis. Em uma sala da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, a entrevista é acompanhada de boas doses de café, e memórias – “Tive uma educação privilegiada. Sempre com bons professores, não só de matemática, de português também”, relembrando nomes de alguns mestres do tempo de colégio.
Hilário Alencar: descobridor de vocações na matemática



Como principais metas para essa gestão na SBM, o professor Hilário pretende ampliar o PROFMAT – programa de pós-graduação stricto sensu em rede, o Integrando a Amazônia e a coleção de textos matemáticos de alta qualidade, com linguagem e preço acessíveis. Há uma mundialização da matemática brasileira, ele não nega: “Sim, mas temos que voltar os olhares para o Brasil, interiozá-la”. Acompanhe a seguir a breve conversa e o entusiasmo do docente, alagoano de coração:
Ciênci@lagoas – Professor, o Estado alagoano é conhecido como celeiro de Matemáticos – temos o Fernando Codá, Manfredo Perdigão, Elon Lages, o Kerley Irraciel (do Instituto de Matemática – IM/UFAL), para ficarmos em poucos exemplos. Como a SBM enxerga Alagoas, sabendo que ele detém um dos piores índices de analfabetismo do País?
Hilário Alencar – A SBM tem um olhar nacional, no entanto, vem dando prioridade as regiões Norte e Nordeste. Sãos regiões carentes de matemáticos, nesse contexto o PROFMAT – com bolsa da Capes, para aprimoramento da formação profissional de professores da rede pública na educação básica. É uma política bem agressiva quanto a isso [risos]. Temos uma Matemática em dois extremos – uma de ponta, com inserção internacional e no outro lado uma matemática (ensino) interna ruim. Esse ruim não é só em Alagoas. Dados nacionais da CGE/OBMEP mostram que alunos, não somente aqui, mas em todo o território, tem dificuldade quanto lidam com geometria.
Ciênci@lagoas – Há uma mundialização da matemática brasileira. É paradoxal…
Hilário Alencar – Sim, mas temos que voltar os olhares para cá, temos que interiorizá-la também.
Ciênci@lagoas – O PROFMAT vem sendo bem recebido?
Hilário Alencar – Sim, ele completou dois anos. Voltado para a educação básica em matemática é um estímulo para que as Universidades do Norte e Nordeste integrem a rede proposta pela SBM.
Ciênci@lagoas – A demanda é enorme… como é a procura?
Hilário Alencar – Disputada. Foram 1.192 vagas para 20.000 inscritos. Para se ter ideia, em Alagoas, a média mínima para o candidato “entrar” no mestrado é praticamente a mesma do que uma instituição em São Paulo. Como a disputa foi alta, você começa a ter bons concorrentes – todas as vagas destinadas para cá, foram reservadas para professores de educação básica, de escola pública, atuantes. A previsão é que até 2012, alcancemos 2.000 vagas, com as novas parcerias.
Ciênci@lagoas – Esse despertar para o mestrado profissional é uma política recente?
Hilário Alencar – Sim, é recente, dois anos. A Capes sempre acompanhou o surgimento de mestrados profissionais, agora este, o Profmat, é o primeiro dentro da UAB [Universidade Aberta do Brasil].  Não é um problema isolado. O caso das licenciaturas, por exemplo – a maioria dos professores não sai de universidades públicas, há uma diferença enorme entre público e privado. É um quadro nacional.
Ciênci@lagoas – E quanto a ações conjuntas com o IMPA?
Hilário Alencar – Entre as atividades que a SBM realiza, como as Olimpíadas de Matemática, destaca-se o projeto Klein em Língua Portuguesa, que tem como objetivo dar uma visão ampla da Matemática aos professores e educadores do ensino médio e da graduação universitária além de oferecer publicações, DVD e site específico para consultas. Também entre as iniciativas da SBM estão o programa Integrando a Amazônia que apoia atividades de pesquisa e pós-graduação nesta região do País. Há também o Projeto Klein que integrou a Sociedade Brasileira de Educação Matemática, a Sociedade Brasileira de História de Matemática.
Entrevista concedida a Hiago Rocha
Foto: disponibilizada no site www.abc.org.br 18/10/2011