Com a construção do Eisa, não somente o manguezal será atingindo. Toda a zona costeira onde estão previstas as construções anexas estão assoreadas, isto é,  a areia fica aparente e, em outros trechos, mesmo com as marés, continuam visíveis. Essa disposição é crucial para entender o hiato entre continente e o mar da região. 
         Uma das grandes questões diz respeito à construção de um canal, saindo da região continental do estaleiro até o mar. A princípio, os navios serão produzidos com calados (profundidade do casco) com até 14 metros. No entanto, devido ao assoreamento, cogita-se a possibilidade de se realizar dragagens dos sedimentos que impossibilitariam o alcance desses navios ao mar. Atrelado a essa situação, não foi verificada ainda a suposta existência de tubarões nos 6 km de distância entre a barreira de corais e a costa.
         E não há estudos que provem o contrário. No caminho inverso, a população de pescadores do Pontal do Coruripe, acredita que sim. “Se o estaleiro vier, aparecerão muitos tubarões, além de espantar os peixes, os turistas vão ficar com medo”, diz Márcio de Souza, 54 anos, pescador há 35 anos. Mas alguns pescadores entendem o outro lado –“se o estaleiro vier, vão aumentar as quantidades de empregos na região”, comenta Paulo Antônio, pescador há 8 anos. A tendência parece ser essa mesma – os 202 mil habitantes da região poderiam ser capacitados para a indústria naval.
          A oferta fácil de emprego já vem atraindo pessoas de municípios próximos.  Nas ruas da cidade, casas já estão sinalizadas para aluguel. Grande maioria poderia trabalhar, mas somente na construção civil, com força braçal. A professora Mônica não titubeia – “toda essa procura gerará uma favelização, já que não temos mão de obra qualificada para atender toda essa demanda”, explica.
O pescador Márcio duvida dos benefícios da obra

              O turismo também poderia sentir os abalos do estaleiro. Já que a procura dos turistas tem com maior intuito a calmaria. Estruturas, que podem alcançar 36 metros, poderiam desviar o encanto e, refletir na economia da região, já que até lá, continuará sendo uma das grandes fontes de renda da população local.
         Pode-se ainda nomear uma série de dificuldades para a implantação da obra do Eisa: Coruripe está distante do aeroporto mais próximo (Zumbi dos Palmares); as rodovias não estão tão aptas para receberam toneladas de materiais; não há energia elétrica o suficiente na cidade para alimentar o estaleiro; a construção de canteiros de obras deixaria o solo da costa cada vez mais frágil; e o aumento do número de veículos afetaria o ar. Tudo isso, sem contar com os prováveis abalos de reserva de água para a população.
         Mas nem tudo foi assim tão cristalino. Em 28 de setembro de 2010, o procurador da República Bruno Baiocchi Vieira assinou uma ação civil pública contra o Conselho Estadual de Proteção Ambiental (Cepram), o Instituto do Meio Ambiente (IMA) e o Estaleiro Eisa pedindo a nulidade do processo de licenciamento do projeto que desapropriou praias e terrenos da União para construção do empreendimento. O procurador argumenta que a desapropriação não pode ocorrer por decreto do governador do estado, uma vez que a área é bem da União.
         Os alagoanos aguardam ansiosos os resultados previstos para próximo junho. Nesse meio tempo, está sendo estudada a implantação de outro estaleiro no Estado. Agora, só nos resta esperar o pronunciamento do Ministério Público. Até lá, continuaremos cogitando mudanças – sejam elas boas ou ruins.
Autor: Hiago Rocha