13 de nov de 2010

PESQUISA SOBRE HOLANDESES EM ALAGOAS É DIVULGADA EM CALENDÁRIO

por: Magnolia Rejane Andrade dos Santos, no dia 13/12/2010

A presença holandesa em Alagoas é o tema de pesquisa divulgada  no calendário 2011 da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal). Lançamento aguardado no meio cultural de Maceió todos os anos, o calendário está na oitava edição sob a coordenação do historiador Douglas Apratto Tenório, juntamente com a museóloga Cármen Lúcia Dantas,
           Em outras edições, Douglas Apratto  contou também com a colaboração  de outros pesquisadores, como foi o caso da historiadora Leda Almeida.  O calendário divulga sempre temas referentes à história e à cultura de Alagoas, a partir de uma abordagem atualizada dos fatos, atrsavés de um texto que os contextualiza e dá uma visão interna, alagoana, dos episódios e das imagens que são escolhidas para ilustrar os calendários.


                  Mesmo em casos como o das fotos de Pierre Verger, por exemplo, tema do calendário 2010, depois da descoberta das mesmas, em Salvador, a seleção das imagens coube aos dois pesquisadores, que através dessa escolha puderam imprimir também seu olhar sobre o olhar do fotógrafo francês.  Além disso, a pesquisa sobre o toma escolhido tem servido de ponto de partida para a publicação de um livro com a mesma temática, para que todo o material e as informações recolhidas não sejam desperdiçados e cheguem ao conhecimento não somente dos alagoanos, mas de todos que se interessarem. Os dois últimos livros lançados foram sobre o Rio São Francisco e sobre Pierre Verger. 

                  A cartofilia alagoana, a arta sacra de Alagoas, a destruição do patrimônio arquitetônico histórico local, os caminhos do açúcar no estado e as coleções de arte do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas foram os assuntos dos outros calendários, sendo que alguns também foram aprofundados em livros, patrocinados pelo Senado Federal, Edufal, Sebrae e Fundação Joaquim Nabuco, através da Editora Massangana (de Pernambuco). 

Holandeses em fatos e imagens
                   Mais de 40 imagens ilustram o Calendário Fapeal 2011, em duas versões, de parede e de mesa. Mapas, óleos sobre tela, gravuras, brasões e até fotografias o compõem. A pesquisa é do historiador Douglas Apratto Tenório e da museóloga Cármen Lúcia Dantas, o projeto gráfico de Fernando Rizzotto e a revisão de Ivone dos Santos.


                   Os mapas fazem parte da coleção da época da presença holandesa em Alagoas e mostram como era o território que os invasores encontraram, com seu relevo, ilustração de algumas atividades econômicas e a visão da natureza, com fauna e flora retratadas.  Pinturas de Frans Post, como O Rio São Francisco (1638), Porto Calvo (1639), Mocambos (1645) e Engenho (1661), e de Albert Eckhout, como Forte Maurício sobre o Rio São Francisco (1671) e Churrasco canibal, do mesmo ano, ajudaram a fixar a imagem dos trópicos pelos europeus. As fotografias são de artefatos holandeses encontrados em outros trabalhos de pesquisa, através de escavações, como jarros, cachimbos e louças, do Forte de Paripueira (Acervo Ufal), e das moedas holandesas que chegaram a circular em Alagoas.

                   Estão presentes, ainda, os principais brasões do Nordeste brasileiro sob domínio holandês, o que possibilita comparações entre eles e a constatação da influência da heráldica holandesa na atual Bandeira de Alagoas. Por fim, dois artistas contemporâneos cederam trabalhos seus para o calendário, para que também ficasse registrada uma visão atual e local dos acontecimentos. O alagoano Pierre Chalita, falecido recentemente, com a tela Os invasores, de 2000, e o pernambucano que mora em Alagoas, Gilvan Ciríaco, com Desembarque holandês em Barra Grande, de 2009. 


    Divulgação original
           Segundo o coordenador do projeto, professor Douglas Apratto, o Calendário Fapeal é muito mais que um objeto útil ou de coleção. “A publicação deste Calendário Cultural e, em seguida, de um livro sobre a Presença Holandesa em Alagoas é o resgate do esquecido tempo dos flamengos entre nós. Reunir todo o acervo documental e bibliográfico que é desconhecido e fora do alcance dos estudiosos é uma tarefa que enobrece os esforços da Fapeal em contribuir para o desenvolvimento de nossa pesquisa histórica e de estímulo ao fortalecimento de nossa identidade cultural”, afirma. 


                    Apratto explica que, dos 24 anos de dominação holandesa, o que é mais conhecido é o relato pernambucano, pois Alagoas ainda pertencia ao vizinho Estado, mas que é importante conhecer os fatos que aconteceram em solo alagoano, assim como os personagens. “Geralmente, os fatos conhecidos são do centro da capitania, Olinda e Recife principalmente, e até algumas situações nas províncias do Norte, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, estendendo-se também para Sergipe e Bahia, outra grande capitania da época. Mas Alagoas, então periferia do polo administrativo, participou ativamente dos desdobramentos dessa ocupação estrangeira e é necessário que uma memória disto seja feita sob a ótica alagoana”, diz.

                    Um dos objetivos do projeto, que além do calendário deve resultar num livro a ser lançado em 2011, é contribuir para a formação de uma bibliografia básica do tema, como tem feito nas edições passadas, além de tentar responder a questões relativas à participação de Alagoas nessa parte da História, uma vez que, até hoje, Pernambuco praticamente detém a exclusividade sobre o relato do episódio.  Além disso, pretende-se despertar o interesse de outros pesquisadores e instituições sobre o tema, para que, com o conhecimento gerado, além da História e da educação, também saiam fortalecidos o turismo cultural e o desenvolvimento sustentável das cidades que fizeram parte do teatro da guerra holandesa em nosso território.  “É a Fapeal cumprindo plenamente o seu papel”, conclui o pesquisador.



Fonte: Texto adaptado de www.fapeal.br