Larva da Broca Gigante, uma das pragas da cana-de-açúcar
     O Laboratório de Análise de Biomarcadores e Semioquímicos(LABIS) da UFAL, coordenado pela professora Dra. Lúcia Maria Cunha Rebouças, trabalha com duas linhas de pesquisa nas áreas de Ecologia Química (Semioquímicos) e Biomarcadores de Petróleo.  O LABIS conta com a participação de alunos dos cursos de Química, Bacharelado e Licenciatura, do Instituto de Química e Biotecnologia da UFAL.
     As pesquisas com Semioquímicos ou Ecologia Química, no LABIS, tiveram inicio com a praga da cana de açúcar, a espécie Telchin licus licus, conhecida como Broca Gigante da Cana de Açúcar.  O projeto “Controle da Broca Gigante Telchin Licus com Ferômonio” sob orientação da professora Lúcia Rebouças, juntamente com o bolsista Agciel Bezerra, foram agraciados com excelência acadêmica no XX Encontro de Iniciação Científica, realizado em outubro de 2010.
     O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de cana-de-açúcar e contribui com cerca de 70% de toda área cultivada nas Américas.  Isso faz da cana-de-açúcar uma das culturas mais importantes, especificamente da região Nordeste do Brasil. No Estado de Alagoas, é a principal cultura, com relevante papel sócio-econômico manifestado pelas indústrias sucroalcooleiras.  Abordar uma das pragas da cana de açúcar, com o objetivo de controle da mesma, é contribuir com o desenvolvimento desta cultura e com a formação de pessoal direcionado para as necessidades da Região. Este é o enfoque dos trabalhos realizados no LABIS, diz a profa. Lucia Rebouças
        No Nordeste, uma das pragas da cana de açúcar em destaque é Broca Gigante, Telchin licus licus (Lepidoptera: Castniidae). Os estágios de desenvolvimento desta mariposa envolve  ovo (5 a 10 dias), larva (150 a 170 dias), pupa (30 a 40 dias) e adulto (12 dias). A larva é a responsável pelos danos a cana de açúcar.  Ela vive na parte interna do colmo, come (internamente) o colmo da cana-de-açúcar, causando o chamado coração morto.  A cana perde nutriente e diminui o teor de açúcar, completa Agciel.  Durante o corte, a larva se protege na base da touceira e realiza o fechamento do orifício, por meio de um processo conhecido como tamponamento, impedindo a ação de qualquer produto, e/ou outro controle.

      O grupo LABIS trabalha esta praga no laboratório de semi-campo, com condições próximas do habitat da mariposa, com cana de açúcar, umidade e temperatura. Nos anos 2009 e 2010 o trabalho foi realizado a partir de pupas fornecidas pela Usinha Roçadinho, lotado no município de Barra de São Miguel. A gaiola de semi-campo é o espaço ideal para a observação da espécie. Quando os adultos emergiram, machos e fêmeas, foram separados. As fêmeas foram submetidas à extração dos compostos presentes na glândula abdominal e as antenas dos adultos machos usadas para o experimento com eletroantenografia (EAG).  Na grande maioria dos insetos as células olfativas, estão localizadas nas antenas. As antenas são capazes de detectar as baixas concentrações dos componentes responsáveis pela comunicação entre: inseto/planta; inseto/inseto de diferentes espécies e inseto/inseto da mesma espécie, e neste caso estes compostos químicos são chamados feromônios, diz a professora. Segundo ela, as antenas podem detectar e responder a concentrações de feromônio sexual tão baixa quanto alguns picogramas por litro de ar. Os testes com as antenas dos machos com até 3 dias, realizados nos anos 2009 e 2010, mostram 3 compostos com atividade significativa maior do que o teste em branco, com solvente.
     Nos anos de 2009-2010, no grupo LABIS, foram confeccionadas armadilhas e estas testadas nas condições de semi-campo e no canavial (Usina Roçadinho). Entre os modelos testados, um apresentou coleta significativa de adultos nas condições de semi-campo e canavial.  Este modelo encontra-se em proteção no NTI-UFAL.
Aparelho Eletroantenograma (EAG) usado pelo laboratório
Colaboração: Hiago Rocha