17 de jul de 2010

PESQUISA AVALIA HIPERTENSOS E DIABÉTICOS ALAGOANOS




   Na tentativa de explicar o crescimento do número de diabéticos e hipertensos em Maceió, a pesquisa coordenada pela professora Sandra Vasconcelos, da Faculdade de Nutrição (Fanut) da Universidade Federal de Alagoas(UFAL), coleta dados para demonstrar os hábitos alimentares e os riscos dos mesmos nessa parcela na sociedade alagoana. Todos os escolhidos participam do Hiperdia – um sistema informatizado que cadastra e acompanha os portadores de hipertensão arterial e/ou diabetes Mellitus captados no Plano Nacional de Reorganização da Atenção à Hipertensão Arterial e ao Diabetes Mellitus, em todas as unidades ambulatoriais do SUS.


Os cadastrados no Hiperdia local formam um conjunto de sete distritos somando uma quantidade superior a oito mil membros, sendo oriundos de todos os distritos e unidades de saúde de Maceió. Desde o período 2007/2009, tem sido realizado um levantamento de tais hábitos em pouco mais mil e trezentos colaboradores, Desse grupo foram selecionados, de forma aleatória, vinte por cento, para fazer medidas de avaliação nutricional antropométrica – peso, altura, circunferência da cintura, e também, mais uma vez, entrevista sobre a ingestão alimentar, exames bioquímicos e coleta de urina. “Orientamos os pacientes a coletá-la, após essa etapa eles mesmos trazem-na para o hospital universitário e nossa equipe faz a análise”, pondera Sandra Vasconcelos.

Segundo a pesquisadora, a grande maioria dos indivíduos estudados são sedentários. Ela acrescenta ainda que “algumas unidades de saúde não têm colaborado, não encontramos uma parceria com os profissionais locais. Esse trabalho deveria servir como uma forma de diagnosticar se há um excesso no consumo de sal ou o abuso de açúcares, já que os dados são repassados para as secretarias de saúde municipal e estadual. Felizmente, há também aquelas unidades que são muito receptivas às nossas informações”, acrescenta.

Superaçâo dos problemas   

O grande problema da pesquisa é a adesão dos pesquisandos. Por isso, a realização de encontros é de fundamental importância, tendo em vista que serve para o esclarecimento de certos mitos. Por exemplo, uma reeducação alimentar, à primeira vista, parece para as pessoas uma mudança drástica no orçamento porque associou-se “comer bem” a “gastar mais”. A febre da ração humana parece uma alternativa mais barata, porém, preocupante. “A mudança do hábito alimentar encabeça uma série de questões, pois envolve, além da questão biológica, as tradições culturais. A pesquisa não se restringe somente a apurar dados. Os envolvidos são instruídos a escolher alimentos adequados para a promoção da saúde. “A mistura feijão com arroz tem sido esquecida devido a industrialização e globalização da comida. Hoje, todos comem pizza ou comida chinesa e se esquecem das necessidades nutricionais, alerta a especialista.

O acompanhamento e o controle da hipertensão arterial e do diabetes mellitus no âmbito da atenção básica poderá evitar o surgimento e a progressão das complicações, reduzindo o número de internações hospitalares, bem como a mortalidade devido a esses agravos. Espera-se que o grupo amostral deixe de ser frio e mórbido para ser ativo e participante. “Quando eles se derem conta de que estão conseguindo reduzir os fatores de risco, eles se sentirão estimulados às mudanças para hábitos mais saudáveis”, finaliza ela.

Para saber mais, acesse: http://hiperdia.datasus.gov.br/principal.asp

Colaboração: Hiago Rocha