27 de abr. de 2010

EVENTO DISCUTE PAPEL SOCIAL DA INOVAÇÃO

 

     Durante a Conferência Regional Nordeste de Ciência, Tecnologia e Inovação realizada nos dias 15 e 16 de Abril, em Maceió, um dos temas mais discutidos foi o papel da sociedade no processo de inovação. O tema foi apresentado, inclusive, como palestra pela professora Maria Bernardete Cordeio de Sousa, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Para ela, a “Inovação é o caminho principal da criação de valor”, enfatizando que essa criação via inovação, é distribuidora de forma desigual ao longo de cadeias produtivas e de territórios – isso ocorre na agricultura e no comércio, por exemplo. Por isso, a política de inovação deve se preocupar com criações e apropiações de valores. Inovação é o processo de apropriação social que antes não existia.

Não houve no Brasil, em seus primórdios, uma cultura de pesquisa, principalmente no Nordeste. Enquanto as regiões Sul e Sudeste encabeçam grande contingente de participação da sociedade civil organizada e da sociedade acadêmica, o Nordeste sofre com pouca participação no cenário de C&T. Para se ter uma ideia númerica, o Nordeste comporta apenas 442 cursos de mestrados (a Região Sudeste concentra mais da metade dos cursos do país) e 193 cursos de doutorado.
O problema reside no hiato entre conhecimento e as políticas públicas distanciam (cada vez mais) a relação sociedade-conhecimento. Segundo a palestrante, a falta de recursos humanos para a gestão de C & T e I, a descontinuidade política e planejamento e gestão deficiente são empecilhos que afastam (e muitas vezes excluem) a aproximação com a sociedade. Por isso, não se trata somente da participação pública na ciência, mas da inclusão de novos atores – as representações sociais. Ainda para ela, não há inovação sem pesquisa. Inovar é transcender tudo o que já foi feito.
Nova ordem econômica
Para tanto, faz-se necessário um encurtamento entre processos de criação e manipulação de saberes. Para a professora Bernardete, a “velha economia” (conhecimento para a produção de mercadorias ou bens materiais) deve ser substituída por uma nova economia. Esta nova ordem deve se basear em um capitalismo cognitivo, onde bem físico vale pouco em relação ao seu significado.
O fator produzido passa a ser conhecimento que não é consumido, mas passa a ser modificado, regenerado, sem se definhar. A apropiação do capitalismo cognitivo é um incentivo trabalhar a inovação no Nordeste e no país. Por isso a necessidade do ensino de ciências e tecnologia a partir dos nivéis iniciais (ensino fundamental) agrupando a informação a mecanismos de produção e de aprendizagem da ciência.
Disparidades Regionais
A região nordeste sofre em relação ao incentivo de instituições na inovação tecnológica. Segundo o pesquisador do INSA (Instituto Nacional do Semi-árido), Alberício Pereira de Andrade, trabalhar uma política de inovação no Nordeste sempre levará as disparidades com o a região Sudeste.
Segundo a professora Bernardete, a condição da pesquisa para uma inovação de menor distorção deve ter o envolvimento das camadas (familiares, escolares, acadêmicas), que devem ser acompanhadas de perto pelas instituições responsáveis pela regulamentação de C & T e I no Nordeste. Para ela, as divergências territoriais e históricas dificultam uma equivalência entre essas regiões, mais que isso, polariza conceitos de bases das cadeias de C, T e I para a sociedade.
Para Ana Cristina Cabral, Secretária de Planejamento de Macaíba, no Rio Grande do Norte, a exclusão e a não consulta possibilitam o esquecimento dos municípios. “A inovação reside na troca de diálogo. Eles (os municípios) são sujeitos da inovação. Assim, a resposta desejadaocorrerá mediante esse câmbio”, completa.
Um das maiores conquistas no debate girou em torno de uma meta para tentar sanar essas dificuldades e implantar uma cultura voltada para a sociedade que abranja e receba total transparência (e instrução) do que se é produzido em ciência, tecnologia e inovação.
Colaboração: Hiago Rocha