26 de mar de 2009

Aluno da Ufal divulga a meteorologia nas escolas públicas

Por Milton Rodrigues <>

O estudante do quarto período do curso de meteorologia da Ufal, Edizânio José, está desenvolvendo projeto de popularização das ciências meteorológicas. A pesquisa, intitulada de "A Meteorologia mais perto de você", fornece aos estudantes das escolas estaduais a oportunidade de conhecer os trabalhos desenvolvidos no Sistema de Radar Meteorológico de Alagoas (SIRMAL), além de aproximar os estudos meteorológicos do cotidiano dos estudantes.

O projeto já visitou 7 escolas da rede estadual de Maceió por meio de parcerias estabelecidas entre o bolsista e os professores de geografia nos intervalos das aulas. O alunado participou de palestras que mostraram a importância da meteorologia no envolvimento sócio-econômico do país. A ciência auxilia principalmente a agricultura com previsões climáticas de futuras safras. Por exemplo, nas cidades como Maceió os fenômenos meteorológicos mais críticos acabam definindo a qualidade ambiental a qual está sujeita a população.

Após a apresentação, foi aplicado um questionário com 12 perguntas para avaliar o conhecimento estudantil em relação aos diversos temas trabalhados como: previsão do tempo, fenômenos climáticos e os serviços prestados pela SIRMAL. Segundo Edizânio os resultados não foram bons, mas até certo ponto esperado, "Isso reflete o fato da população alagoana ainda desconhecer a importância da meteorologia na vida delas. Dos 192 alunos questionados sobre o serviço prestado pelo SIRMAL, somente 10 responderam que o conheciam". O mesmo questionário abordou o conhecimento geral da meteorologia, onde somente 4 pessoas responderam que a conheciam. Ao contrário dessa tendência negativa, a pergunta relacionada à interferência das mudanças climáticas na saúde obtiveram 180 respostas afirmativas.

- Parcerias –

Edizânio conta que a idéia do projeto de divulgação surgiu ainda em 2007, no início do curso, quando ele e mais alguns colegas de turma começaram a perceber o desinteresse de outros estudantes em relação a possibilidade de um estágio na área. Com a orientação dos professores Luiz Carlos Molion e Manoel Toledo, o estudante atua no projeto sem nenhum financiamento. "Esperamos oficializá-lo por meio da Pró-Reitoria de Extensão (PROEX), firmando parceria com o CEDU (Centro de Educação) e com o programa cientista mirim da Secretária de ciência e Tecnologia". Segundo dados da Secretária de Ciência e Tecnologia do Estado, o programa "Cientista Mirim" em 2008, alcançou 96 municípios e em 2009 possui uma expectativa de de atingir todos os 102 municípios alagoanos. O programa tem por objetivo incentivar o espírito científico, através de atividades com alunos da educação básica, de modo especial Matemática e Ciência. O resultado da pesquisa ainda é pequeno e necessita de uma nova visita nas escolas, para avaliar as mudanças de opinião. Edizânio quer também Que. seu trabalho seja ampliado para todas as escolas do Estado. Por isso ele pede a colaboração dos novos estudantes. Para mais informações edizanio@hotmail.com

- O Brasil não tem tradição em Meteorologia -

A falta de conhecimento sobre a Meteorologia é apontado pelo coordenador do Instituto de Ciências Atmosféricas (ICAT-UFAL) e orientador de Edzanio, professor Luiz Carlos Molion, como um problema histórico. "O Brasil não tem uma tradição em estudos atmosféricos. A razão para isso talvez seja histórica, pois na Europa os países mais atrasados são Portugal e Espanha, nossos antigos colonizadores. Então nós não desenvolvemos a necessidade de estudá-la, diferentemente de países como o Canadá, Estados Unidos e Rússia onde o estudo é crucial porque o solo passa de 6 a 7 meses congelados sem ter como plantar nada!". O estudioso ainda afirma que é raro no país fenomênos de grande intensidade, como o ciclone Catarina acontecido em março de 2004, e que trouxe bastante prejuízo à população de Santa Catarina. Talvez por isso a meteorologia nunca foi considerada uma ciência importante no Brasil e em todos os países tropicais.

Recentemtente com a globalização, percebe-se a necessidade de melhoria em todos os setores, afim de obter a disposição de previsões do tempo e clima. O professor avalia que "Nós temos a habilidade de prever o tempo, mas essa informação deve chegar a quem tem que tomar essa atitude. De forma que evite o mínimo de danos materiais e de vidas". Para Luiz Molion, ainda vai levar um certo tempo para que o Brasil perceba que essa área do conhecimento é importante.
Hoje, o Instituto possui um radar que cobre 250km pra dentro do mar, trazendo proteção ambiental para pescadores e diversos navegadores. Segundo consta no plano da unidade acadêmica existe a necessidade de melhoria na comunicação do ICAT, visando a divulgação das ações do Instituto. Existe também a necessidade de uma melhoria nos equipamentos de tecnologia da informação utilizados pelos alunos.