2 de set de 2019

O samba como precursor do hibridismo cultural

Como o samba tornou-se um produto híbrido cultural brasileiro

Por: Amanda Ferreira, Adelle Correia, Letícia Ferreira e Julita Bittencourt

O hibridismo na América-Latina é diferente dos demais continentes. Essa diferença é explicada pela forte colonização do território e a mistura dos nativos e os negros escravos trazidos na época. É possível afirmar que, com essa mistura, os povos já mencionados tornaram-se culturalmente híbridos.

Explicando o hibridismo 


O termo hibridismo vem do grego Hybris, que significa excesso, desmedida. Quando o assunto é cultura, a palavra hibridismo ganha o sentido de miscigenação, que é referente da mistura social e cultural. O Brasil é conhecido globalmente como um país que sofreu muito com a miscigenação, pois nele vemos que a unidade cultura é maior comparando com os outros países. 

Explicando a miscigenação no Brasil com o Samba


O samba é um produto cultural híbrido. Gênero musical originalmente brasileiro, trazido para o Brasil na época da colonização por africanos escravizados aqui. Originou-se dos batuques em cultos da religião africana e com o tempo serviu de distração e para divertir os escravos nas rodas de samba. Com o passar dos anos, os batuques sofreram mudanças e passaram a misturar-se com outros gêneros musicais. A própria criação de estilos dentro do samba é explicada pela mistura do gênero com outras fontes. 

O samba-canção, muito prestigiado em bares de todo o Brasil, é um estilo que sofreu grande influência de cabarés latinos das décadas de 50 até 80, e hoje continua sendo ouvido por milhões de brasileiros. No estado de Alagoas não é diferente. Grupos formam bandas e cantam todo final de semana em barzinhos noturnos na capital e cidades do interior. 

O grupo Piu do Samba, fundado em 2010, pelo cantor Edmilson Oliveira de Lima, de 33 anos, mais conhecido como Piu, é um exemplo de samba como precursor do hibridismo cultural. Em seus shows, a banda apresenta um pagode romântico estilo anos 90 parecido com Samba-canção e muita swingueira - estilo de música que mistura samba e axé. 

Quando questionado em como conseguiu manter os shows nesses nove anos e o porquê do repertório, Edmilson afirma que “é uma alegria para nós músicos fazer o povo dançar, curtir, se divertir, à mesma medida em que conhecer pessoas novas me motiva a manter esse grupo que tanto amo”. Questionado sobre  a importância do samba em sua trajetória, ele responde: “O samba e a música  representa para mim alegria, paz, amor, amizade, o carinho, companheirismo, a música me acalma”. 

Integrantes do grupo Piu do Samba. O Vocalista é o de óculos escuro e camiseta cinza. Créditos: Arquivo Pessoal

O músico diz ainda que, a rotina de shows do grupo, vai de sexta a domingo, em festas particulares ou grandes eventos por toda a capital alagoana. Edmilson é portador de uma deficiência física nas pernas, que o impede de se locomover por grandes distâncias à pé, portanto ele é levado por seus parceiros de banda para os locais dos shows. “O samba entrou em minha vida e me fez enxergar o mundo de uma outra forma, e mesmo com as perdas que tive em minha vida, no começo da banda eu queria formar um grupo pra ser o melhor em samba na região, e hoje sou muito feliz fazendo o que faço”, diz ele. 

Piu do Samba durante show. Crédito: Arquivo Pessoal

O grupo Piu do Samba, além de tocar em bares, tocam em aniversários e festas de casamento. Por ser um grupo que mistura um estilo que nos faz lembrar de samba-canção com estilos atuais como o swingueira, também chama atenção do público jovem. Vale a pena se deliciar com esse incrível e essa riqueza cultural híbrida que é o samba!






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ALÉM DA PARTITURA - Banda Fulô da Chica Boa mantém a tradição do pífano em Alagoas

Por: Luiz Cláudio Barros, Hermes Winícius, Jeydson Silva e Leonardo Ferreira.

   

Banda Fulô da Chica Boa Foto: Reprodução/Instagram


O som do pífano é inconfundível em qualquer que seja o ambiente. Por ser mais alto e estridente, se diferencia com facilidade de outros tipos de flauta. A origem do instrumento remonta ao início do cristianismo, pois era usado para saudar a Virgem Maria nas festas natalinas. Em uma região de predominância católica, a tradição de como tocar e como fazê-lo se espalha oralmente pelas famílias.  

O pífano pode ser feito de matérias-primas naturais como o bambu ou ossos, mas a versão mais vista atualmente é feita de cano PVC. Cada qual tem suas medidas em palmos e detalhes que somente os produtores podem contar na hora de furar um dos sete buracos que compõem o instrumento. 

Pela ausência de um estudo musical mais aprimorado pra fazer um modelo padrão, há quem fale que dois pífanos só podem fazer parte da mesma banda se tiverem a afinação perfeita, que só é conseguida se forem feitos pela mesma pessoa no mesmo dia. Diferentemente das flautas e de instrumentos mais eruditos, o "pife" tradicional brasileiro não é tocado com partituras. O instrumentista, assim como o produtor do instrumento, aprende através da cultura oral.

Foi assim que Washington da Anunciação, professor de Teatro da Ufal, descobriu seu gosto pela cultura popular e ficou fascinado com o pífano. No final dos anos 1970, ainda como estudante universitário, teve seu talento reconhecido por Aloísio Galvão. Nasce assim a Bandinha de Pífanos Fulô da Chica Boa.

"Eu não sei música e não domino partitura. O pífano que eu toco é um que eu não faço questão nenhuma de evoluir tecnicamente, porque é aquele que aprendi com os pifeiros quando ainda era uma criança, então eu toco de ouvido, como eles dizem. Eu me junto com um cara como o Abel dos Anjos, músico da Orquestra Sinfônica da Ufal, e nós fazemos uma primeira e uma segunda que só você ouvindo pra ver (risos). Nem me importo com os erros, o importante é nos espelhar na cultura e manter a brincadeira sempre", comentou Washington.

SURGIMENTO DA BANDA

Apresentação da Bandinha em Abril de 1983. Foto: Arquivo Pessoal

A Bandinha de Pífano Fulô da Chica Boa surgiu no final da década de 70 com o apoio da Universidade Federal de Alagoas, do projeto de Extensão Cultural e a motivação incondicional de Théo Brandão, que considerava a banda como um fenômeno folclórico. O nome é uma homenagem à Francisca de Oliveira, avó de Washington que era popularmente conhecida como Chica Boa.

“A minha avó era uma rezadeira muito popular na nossa região e adorava banda de pífano. Toda vez que as bandinhas passavam na porta, ela saía para dançar. Isso acabou por influenciar meu gosto pelo instrumento e é por isso que o nome dela batiza a banda. É uma figura protetora”, relembrou Washington.

A família Da Anunciação tem suas origens na Praça Santa Tereza. Foi lá que Washington teve seu primeiro contato com as bandas de pífano que faziam cortejo pela região e, acompanhando-os, descobriu que tinha uma excelente capacidade para o sopro. Um talento que até lhe gerou problemas no Grupo Escolar Sete de Setembro.

“A professora dizia que eu parecia um sabiá. Aí chamou minha mãe, dona Hélia, pra reclamar do tanto que eu assobiava. ‘Cuide desse menino que às vezes ele atrapalha’ (risos). Eu sempre gostei do sopro, imito juiz de futebol, imito alguns pássaros e nunca ficava tonto enquanto soprava. Esse talento depois viria a ser reconhecido na universidade e influenciaria no surgimento da banda”, refletiu Washington.

A Fulô da Chica Boa atualmente conta com cinco membros: Washington da Anunciação e Abel dos Anjos tocam pífano, Wellington da Anunciação é o zabumbeiro, Williams da Anunciação toca caixa e Pedro Ralado toca pratos.

UMA QUESTÃO FAMILIAR


Williams entrou na banda “por acaso”, substituindo membros tocando prato ou caixa. Assim como Washington, desde novo demonstrou interesse pelos folguedos alagoanos. Ele entende que o pífano promove muito além de musicalidade.

A formação da banda. Da esquerda para a direita: Abel, Washington, Wellington, Williams e Pedro. Foto: Reprodução/Instagram
“Tem um lado emocional em tocar. São três irmãos e um sobrinho e por vezes é tão raro estarmos juntos, então sempre que aparece a oportunidade a gente toca. E se a oportunidade não aparecer, a gente manda mensagem no grupo do WhatsApp e combina pra tocar domingo à tarde na área fechada na Pajuçara”, revelou Williams.

As festas da família Da Anunciação sempre têm ao menos uma atração confirmada: A Banda Fulô da Chica Boa anima os convidados com seu repertório baseado nos principais sucessos da Banda de Pífanos de Caruaru, composta pelos irmãos Biano, alagoanos de origem que se estabeleceram como referências musicais.

Banda Fulô da Chica Boa durante apresentação realizada em aniversário. Foto: Reprodução/Instagram

As apresentações duram por volta de 30 minutos e contam com clássicos sucessos como “A Briga do Cachorro com a Onça”, composição de Sebastião Biano. Algumas críticas ao repertório e à sonoridade surgem até dos próprios familiares, mas Williams enxerga a arte do pífano com positividade e como algo forte, mesmo no atual cenário.

“Nós recentemente descobrimos um grupo no Facebook chamado ‘Pegue o Pife’. O que tem de pifeiro espalhado pelo mundo é de admirar. Isso motiva muito o nosso trabalho. Nós sempre trabalhamos com muita alegria, independentemente de qualquer coisa. A empolgação é maior do que banda”, brincou Williams.


O CARREGADOR DE PIANO DAS ARTES

Washington da Anunciação com seu inseparável pífano. Foto: Reprodução/Instagram

Washington da Anunciação pode ser considerado como um baluarte da cultura alagoana. Além de ser instrumentista e professor de teatro, o pifeiro já se envolveu com fotografia, cinema e é quiromante.

Durante as conversas a recordações sobre importantes acadêmicos com quem conviveu, tratou até de uma histórica noite de caipirinha e palestras com Paulo Freire. Washington foi casado com Margarida Freire, sobrinha do pedagogo.

O professor de teatro chegou a trabalhar com a produção de musical de Tim Maia e Herbert Viana, além de ter tocado com Esther Alves, uma das maiores flautistas do país, a quem presentou com um pífano que ele mesmo fez. E, como não podia faltar, teve a oportunidade de tocar seu instrumento favorito ao lado do mestre da Banda de Pífano de Caruaru. Para Washington, faltam poucos pifeiros para conhecer no Nordeste.

“Hoje tenho grandes parceiros como o Mestre Gama e o Zil de Riacho Doce que me dão sustentação produzindo pifes afinadíssimos. Eu mesmo faço alguns com PVC e uma tesourinha, assim como os mestres de zabumba de Caruaru”, revelou Washington.


APOIO


Apesar de todo o currículo, Washington e a Banda Fulô da Chica Boa não fazem distinção na hora de tocar. Pode ser com o amigo pessoal Chau do Pife ou mesmo com as bandas do interior que passam pela rua.

“Quando as bandinhas do Pilar ou de outros lugares aparecem, eu faço questão de descer com as minhas parelhas e me juntar com as parelhas deles para tocar pífano e fazer um forró na hora. E aí a gente esquece tempo e espaço. Claro, tudo isso depois da gente tomar um cafezinho e conversar um pouco”, contou Washington.

Em meio às conversas com os pifeiros mais humildes, Washington já descobriu muito sobre a realidade das bandas de pífano no estado de Alagoas.

“É um cenário de muita dificuldade. Quando eu vou na casa de um deles, as pessoas têm uma situação muito sofrida. Eu vou tentando ajudar e acho que é muito importante que nós façamos essa aproximação. Eu sinto que a gente não tem apoio nenhum. Graças à própria evolução da história, a gente paga pra tocar”, desabafou Washington.

A partir de 2013, a Banda Fulô da Chica Boa começou a se arriscar nos editais oferecidos pela Secretaria de Cultura de Maceió, conseguindo realizar shows no Shopping e até participando de alguns shows de forró espalhados pela cidade.

Banda de Pífanos Fulô da Chica Boa durante apresentação no São João do Parque Shopping Foto: Reprodução/Página do Facebook
Apesar disso, o grande foco de Washington e seus irmãos é não recorrer ao poder público. Tradicionalmente eles tocam nas feiras livres do Tabuleiro e do Jacintinho, ganhando dinheiro na “rodada do chapéu” e sendo a sensação para todos os públicos. Recentemente, inclusive, estiveram participando de um evento em solidariedade ao bairro do Pinheiro.

“A gente tem que despertar. Se ficar com a ideia de que a banda de pífano está acabando, ela realmente vai acabar. Se a gente começa a tocar em uma praça, faz eventos, vai aparecer alguém que já tocou flauta ou que tem interesse em aprender a fazer um pífano e vai expandir isso para as próximas gerações. Essa ideia minha é válida para todos os folguedos. Está no sangue. Ao ver, você vai despertar, se emocionar e querer fazer parte do grupo. Nós precisamos estar visíveis”, destacou Williams.

O pífano é um instrumento de som inconfundível. Ser ouvido não é o problema, o maior trabalho é realizado por bandas como a Fulô da Chica Boa, que se esforçam todos os dias para serem vistas.












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Projeto incentiva educação e esporte na Garça Torta

Por: Natalia Figueiredo e Thaís Andrade
Foto: Reprodução do Instagram @locaisdagarca

Inspirado em iniciativas que já ocorrem em outras partes de Alagoas, o “Projeto Locais da Garça” surgiu na Garça Torta em novembro de 2018, promovendo gratuitamente aulas e a distribuição de materiais de surf para os jovens da região. Seu intuito é incentivar educação e lazer para crianças e adolescentes, por meio da prática do esporte. Em troca, os jovens devem andar na linha, tendo uma boa frequência escolar acompanhada de boas notas e praticar diariamente o respeito, dentro e fora do esporte. 

IDEALIZAÇÃO DO PROJETO


Foto: Reprodução do Instagram @locaisdagarca


José Carlos Gonçalves é morador da Garça Torta há 53 anos e é um dos idealizadores do projeto. “A ideia é tirar os meninos da rua. Não são moradores de rua, mas estavam ociosos. Não tinham o que fazer, ficavam subindo em pé de coqueiro, roubando manga. A gente resolveu promover essa iniciativa para dar a eles uma ocupação e incentivar a prática do esporte”, conta José Carlos.

O projeto é direcionado para meninos e meninas de 6 a 18 anos e esses participantes devem cumprir algumas regras, caso contrário, perdem a prancha e são banidos das aulas. “A gente cobra o boletim e a frequência das aulas. Não pode desrespeitar os pais e nem a nossa equipe, tem que respeitar a galera. Vejo o boletim deles todo bimestre, se tiver nota boa eles continuam surfando, e se não, eu tomo a prancha”, explicou José.

APOIOS E PARCERIAS



Foto: Reprodução do Instagram @locaisdagarca

A Secretaria do Esporte, Lazer e Juventude de Alagoas é o principal parceiro do projeto. O atual governador, Renan Filho, já foi morador da Garça Torta e ainda frequenta a praia paradisíaca do bairro. Ao saber da iniciativa o governador pôs a disposição a secretaria e no segundo semestre de 2019 irá contemplá-lo com os materiais necessários para a prática de surf, como: malha, protetor solar, quilha, parafina e 15 pranchas novas. 

DIFICULDADES


Apesar da iniciativa estimular o estudo escolar e a prática de esporte, algumas mães se sentiram inseguras e desconfiadas em permitir a participação de seus filhos no projeto. Foi a partir da parceria com a Secretaria do Estado que essas mães passaram a deixar seus filhos participarem das aulas de surf.

 “Algumas mães não aceitaram, logo no início, e aí fizemos um formulário pra elas assinarem e tudo, muitas não assinaram mas aos poucos como estão vendo resultado, estão vindo atrás do projeto.” Afirmou José Carlos. 

No entanto, os moradores da Garça Torta e clientes do Bar Seu Manoel deram apoio desde o nascimento do projeto. As lojas Mammoth Store, Central Plast e MR Surfboards foram os primeiros a apostarem no Locais da Garça doando as 8 primeiras pranchas.

ROTINA


O mar e os horários da garotada são os fatores que determinam quando as aulas acontecem. A maré e o clima precisam estar favoráveis para os surfistas. Porém, José Carlos e a equipe Locais da Garça, formada pelos surfistas Tiago Gonçalves e Maynara Silva, tentam realizar as aulas duas vezes por semana pela manhã e tarde. 

Nos fins de semana o Locais da Garça só acontece se não tiver campeonatos de surf pelo litoral alagoano. As aulas de surf são intercaladas com as aulas escolares.

CONQUISTAS


Locais da Garça acumula campeões no surf. Na categoria sub10 Rafa ficou em primeiro lugar, na sub 12, sub 16 e na 18 Tiago Gonçalves, campeão na categoria jr alagoana de surf. No Feminino Surf Club Mayla Silva conquistou o primeiro lugar e Maynara Silva o segundo.

PRÓXIMOS PASSOS


Foto: Reprodução do Instagram @locaisdagarca

As expectativas são de expandir o projeto, ir além das aulas práticas. José Carlos almeja alugar uma sede para que os aspirantes a surfistas aprendam mais sobre o que é o surf e o que esse esporte pode proporcionar. “Promover palestras, mostrar filmes de surf, dar aula de inglês e trazer profissionais para mostrar a realidade do esporte”, conta José. 

O Locais da Garça não tem prazo de validade, enquanto houver pessoas e empresas interessadas em motivar os jovens a uma vida de qualidade, o projeto prosseguirá.

REDES SOCIAIS


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20 de ago de 2019

A história alagoana contada através do audiovisual

Por: Natália Figueiredo e Thaís Andrade

Fachada do Misa. Foto: Thaís Andrade

Com aspectos histórico-culturais muito marcantes, Alagoas possui uma grande quantidade de espaços e acervos que abrigam toda a sua trajetória. Contando apenas com a capital alagoana, são mais de 25 museus que abrem suas portas diariamente para receber todo tipo de público. E o MISA é um deles.

História


Museu da Imagem e do Som de Alagoas (MISA) foi criado em 1981, ficando instalado por cerca de um ano na sala Heckel Tavares no Teatro Deodoro. 

O prédio que hoje abriga o MISA está localizado na Rua Sá e Albuquerque no bairro do Jaraguá, um dos bairros mais antigos da capital alagoana, que faz parte da história e formação cultural de Maceió. O prédio foi construído em 1869 para ser o Consulado da Província das Alagoas, porém passou a ser o recebedor de impostos, chamado de Recebedoria. 

Por último, o prédio abrigou a Secretaria da Fazenda de Alagoas (Sefaz). Em 1982 o governo do estado inaugurou um edifício no bairro do Centro, em frente à Praça dos Martírios, e a Sefaz foi transferida para o prédio novo, deixando assim o antigo prédio desocupado. Com isso o fundador do MISA, doutor Braúlio Leite Junior, conseguiu com o governo do estado transferir o acervo do MISA para o atual prédio. 

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Bráulio Leite Júnior, fundador do Misa. Foto: Thaís Andrade

Arquitetura


O prédio foi construído inicialmente no estilo da arquitetura neoclássica. No entanto, com o passar dos anos o edifício recebeu algumas reformas e adaptações. Hoje o MISA conta com entrada para cadeirantes e elevador para dar acesso ao primeiro andar que só foi construído em 1917.

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Imagens das estruturas do museu. Foto: Thaís Andrade

Acervo do MISA


A maior parte do acervo do museu foi adquirida por doações da população alagoana. Na década de 80 foram publicados anúncios em jornais impressos solicitando a população doação de equipamentos e itens ligados ao audiovisual como rádios antigos, discos, CDs e fotografias antigas de Maceió. 

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Placas sinalizando os serviços prestado pelo museu. Foto: Thaís Andrade
O museu conta com um acervo de cerca de 12 mil fotos da antiga Maceió, 8 mil discos de vinil, 800 fitas de áudio e 2.500 vídeo cassete. E é contemplado também com acervo tridimensional que contém rádios, vitrolas, gravadores e retroprojetores antigos e alguns mais atuais dos anos 2000, perpassando a história do audiovisual. 

Além de seus diversos equipamentos, o MISA também é possui um auditório, que é usado para exibição de documentários, fotografias, workshops e seminários. Com a biblioteca e o salão de exposição, a cada mês o espaço recebe um trabalho artístico diferente como fotos, artesanato e pinturas. Geralmente a preferência é dada aos artistas alagoanos para as exposições temporárias de 30 a 45 dias. 

Núcleo de Produção Digital

Por se tratar de um museu de audiovisual, o MISA também abriga um Núcleo de Produção Digital (NPD). Esse setor disponibiliza equipamentos para a produção de documentários, filmes e videoclipes. Para isso é preciso preencher um ofício declarando quais equipamentos deseja, por quanto tempo precisará deles e do que se trata a produção audiovisual e dar entrada na Secretaria de Cultura do Estado (Secult).


Nos bastidores do MISA

Gilberto Leite Filho hoje trabalha como pesquisador e historiador no MISA, mas sua carreira no museu começou no início da década de 80. Gilberto começou como estagiário, catalogando fotografias e recortes de jornais, e durante os 36 anos de carreira passou por algumas etapas do museu. 

Segundo Gilberto, o museu é de grande importância para pesquisas acadêmicas principalmente para os cursos de arquitetura e história. Além de ser parte do patrimônio cultural de alagoas.

O pesquisador conta com pesar a falta de visitantes locais e acredita que os alagoanos não dão o devido valor à sua cultura. “97% da população que frequenta o museu são turistas, os alagoanos visitam muito pouco os museus”, afirmou.

O museu recebe uma faixa de 200 visitantes por mês.


Acervos 

Os filhos do então falecido jornalista e ativista político foram quem decidiram doar objetos pessoais de seu pai para o MISA com o intuito do museu criar um espaço Freitas Neto. O MISA também tem o Espaço Jornalista Valmir Calheiros e Espaço Edécio Lopes que era radialista pernambucano, todos os pertences encontrados no Misa foram doados pelas suas famílias, assim como o acervo do Freitas Neto.
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Acervo Freitas Neto. Foto: Thaís Andrade
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Placa indicando sala do acervo do jornalista Valmir Calheiros. Foto: Thaís Andrade
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Placa indicando a sala de acervo do radialista Edécio Lopes. Foto: Thaís Andrade

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Acervo Edécio Lopes. Foto: Thaís Andrade

Serviço

Segunda a sexta de 8 às 17 horas. Jaraguá é um bairro majoritariamente comercial e aos fins de semana e após o horário comercial se torna um ambiente deserto. Por motivos de segurança o museu não abre aos fins de semana nem aos feriados.


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